Imagem: SinestesiaNão falo dos dias, mas das horas. Para perder a noção dos dias é simples. É só ser completamente normal. Gente normal me dá nos nervos. O dito normal é a coisa mais estranha que posso imaginar.
É estranho usar drogas pra se divertir? É estranho dormir até não ter sono? É estranho não querer se encaixar em padrões inventados por meia dúzia de manés no topo da cadeia alimentar? Acho que não.
Estranho é o cara sair de maleta às 6h47 da manhã todos os dias, pegar o ônibus até o metrô e o metrô até a pequena companhia de seguros e trabalhar até às 6 em ponto e voltar para casa e comer bife com arroz na frente da TV sem falar com a mulher (que fez o bife com arroz) e nem olhar direito pros filhos (que mal sabem quem é aquele sujeito de barba que eles chamam de pai) e dormir (de pijama azul) logo depois do jornal noturno porque está cansado, muito cansado, e amanhã vai ter que fazer tudo de novo e depois também e depois vai se aposentar e olhar pra trás e achar que a vida foi digna e honesta e justa e que viveu uma rotina estúpida em que não conseguia diferenciar um dia do outro.
Esses humanos são todos uns loucos "
Fugir das rotinas, sempre será o meu eterno objetivo.
Texto: Clarah Averbuck - Máquina de Pinball