Sete Pessoas. Sete cabeças diferentes. Sete posts na semana sobre diferentes temas. Um bicho de sete cabeças.
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domingo, 14 de julho de 2013
#Recortes 2
Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava. Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: deixar-me leve
domingo, 7 de julho de 2013
#recortes
Ela tinha olhos formidáveis, atos imprevisíveis. Parecia ter vivido as mais tempestuosas experiências e conseguido sair dessas de forma elegante, caminhando em salto agulha. Seu sorriso era caloroso, ofuscava mistério e serenidade. Aquele sorriso capaz de curar um enfermo, apaziguar uma guerra, trazer luz e calor aos corações mais insípidos. Essa moça, tão moça, conseguiu despertar em mim a mais estranha e adorável sensação. Incrédulo, indagava-a por que eu teria sido sua escolha, por que dentre tantos melhores que eu, ela havia optado justo a mim. Sorrindo, afagou meus cabelos e disse-me que por tempos, peregrinava entre mundos de olhos vendados, onde destinos se cruzavam, onde optava entre o certo e o errado. Suas bochechas coraram, pude senti-las queimando, quando disse que apenas eu fui capaz de deixá-la sem escolha. Capaz de fazê-la sentir minha presença e a importância desta em sua vida, mesmo de olhos vendados.
—
Desvencilhar
domingo, 17 de março de 2013
"Eu não quero ter vergonha de nada do que eu seja capaz de sentir" (C.F)
(...)#Recortes
Sorri, depois, ao me notar torcendo por você e achando o dia bonito, um tanto com seu rosto: menos por seu sorriso, pelos cabelos, pelos seus olhos firmes (também muito bonitos, tudo muito bonito), mais pelas proximidades inesperadas em idéias, em gestos, em atos. Sorri, depois, também, por sentir vontade de esperar seu ônibus, para roubar alguns minutos a mais de conversa. Um tanto pueril, eu admito. Mas não tenho vergonha dessas coisas. "Eu não quero ter vergonha de nada do que eu seja capaz de sentir", disse certa vez Caio Fernando Abreu (um dos escritores que mais me marcaram), em uma carta. Sou assim também.
Quiçá, um pouquinho dessas impressões você tenha compartilhado comigo. Quiçá, não. Na verdade, isso não importa tanto - a maneira com que você me leu, enquanto sem pressa eu te lia também, é um universo de possibilidades, algumas favoráveis, outras não. O essencial do dia é uma espantosamente singela vontade de, quando você quiser dividir comigo algum tempo, história, diálogo, eu estar presente para isso. Se de alguma maneira sentimos que alguém se tornou singular - ainda que por pequenos instantes -, a vida já nos apresentou uma daquelas cartas na manga que não notamos enquanto seus truques não são concluídos. Um sábado sem maiores expectativas, ficou guardado como um dia um tantinho especial. Isso, sim, é o fundamental.
(...)
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