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domingo, 27 de março de 2011

Os três nomes do gato.


(Paráfrase de um poema de T. S. Eliot)

Dar nome aos gatos não é tarefa fácil nem fútil.
Muitas vezes quando digo que o gato deve ter
TRÊS NOMES DIFERENTES,
olham-me de novo, julgam-me biruta.
Mas assim é, por mais que estranhem e gozem.
Primeiro o nome corrente, de uso da família,
que pode ser Poetinha, Alípio ou Conceição.
Depois o escolhido de pessoas refinadas
(extravagantes ou mesmo sóbrias),
como Menelau, Polonaise ou Pixinguinha.
Por último o mais íntimo e solitário,
que ele mais necessita para manter o orgulho,
esticar os bigodes, enrodilhar-se na cadeira
ou pular o muro como num vôo retilíneo,
que pode ser Diadorim, Caracóia ou Ana Lívia Plurabelle,
nome
que nenhum outro gato ostenta.

Mas além desses e acima de tudo e de todos
Há um nome especial a preferir
- e esse ninguém nunca saberá.
É o nome que nenhuma pesquisa pode descobrir,
e que só o próprio gato sabe,
e que nunca dirá a ninguém.
Assim
Se você ver um gato em profunda meditação,
Os olhos abertos mas cegos, as unhas em inocente repouso,
a razão é sempre a mesma:
sua mente está ocupada na contemplação de seu profundo
e inescrutável e singular NOME.

                                                                 Lázaro Barreto

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Abalou, sacudiu e balançou

No momento em que meu mundo desmoronava, o lixo se mechia. Tanto que ele virou.

Após alguns segundo ela apareceu ...
... e animou o meu dia. Lucy Van Pelt




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Afinidades

" O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro têm um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho"

Ligação: " ... aonde eu estava, ele vinha. Aconteceu que eu tinha acabado de escrever um poema. Tinha corrigido e botei aqui do lado. Estava lendo um jornal para tomar nota de alguma coisa e ele veio, me olhou e deitou em cima do poema (ri).Achei engraçado: para ele, deitar em cima de um poema é quase como se fosse um papel em branco. Ele é totalmente indiferente"

Poema - "Ronron do Gatinho" de Ferreira Gullar
O mesmo contou o seu amor ao bichano para revista Bravo de outubro - 2010. Reportagem de João Barile.

Tem certos amores que, nem um ser que se diz homem, consegue transmitir.