Comecei este post completamente sem idéia, aí me lembrei da máxima: "Não tem idéia do que escrever? Leia!" e então recorri a um dos meus favoritos.
André Comte-Sponville, filósofo francês.
Dele já li dois livros ótimos: "O amor a solidão" e "Pequeno tratado das grandes virtudes" e como ando viciada em eBooks, encontrei agora o "A felicidade, desesperadamente" que já entrou na fila.
O Humor, como virtude. E humor lá é virtude? Também me fiz a mesma pergunta. Mas Comte-Sponville justifica, dizendo que qualquer seriedade é condenável quando falamos de nós mesmos. Me parece justo.
"Não exageremos porém a importância do humor. Um canalha pode ter humor; um herói pode não ter. Mas isso é verdade, como vimos, para a maioria das virtudes, e não prova nada contra o humor, a não ser, o que é claríssimo, que ele
não prova nada. Mas se quisesse provar continuaria sendo humor?"
"Mas há rir e rir, e cumpre distinguir aqui o humor da ironia. A ironia não é uma virtude, é uma arma – voltada quase sempre contra outrem. É o riso mau, sarcástico, destruidor, o riso da zombaria, o riso que fere, que pode matar, (...), é o riso do ódio, é o riso do combate. Útil? Como não, quando necessário! Que arma não o é? Mas nenhuma arma é a paz, nenhuma ironia é o humor. A linguagem pode enganar. Nossos humoristas, como se diz, ou como eles se dizem, muitas vezes não passam de ironistas, de satiristas – e, por certo, são necessários. Mas os melhores misturam os dois gêneros (...) Somente a verdade é engraçada, em todo caso humorística, só ela pode sê-lo, e é por isso que o disparate tantas vezes nos diverte: porque nada é verdadeiro no sentido, a não ser pela seriedade que lhe damos e que o humor não suprime (...), mas relativiza, alivia, afasta, fragiliza de forma feliz, em relação à qual, enfim, ele nos liberta (pois se pode gracejar de tudo) sem a abolir (já que o humor deixa o real imutado e já que nossos desejos, nossas crenças, nossas ilusões fazem parte dele)."