Livro: Um Dia
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca
Categoria: Literatura Internacional / Romance
ISBN: 9788580570458
Páginas: 416
Lançamento: 2011
Hoje começo uma série, que decidi chamar de "Não dá para parar de ler". Com este livro que fez parte das minhas leituras de férias.
Tudo começou em um dia. 15 de julho de 1988 (ou 15 de julho de 2011 para mim - sim, por "co-incidência" o livro chegou nas minhas mãos nesse fatídico dia), após a formatura de Emma e Dexter. Dex nunca notou antes desse dia a existência de Emma. E após passarem a noite juntos, apenas bêbados e pesarosos quanto ao futuro, a vida prossegue com rumos distintos ou não.
David Nicholls é uma dessas gratas revelações que acontecem no meio literário e que trazem o frescor de um enorme talento. Mas muita ATENÇÃO!!! “Um dia” é um livro perigoso, principalmente para aqueles que precisam trabalhar no dia seguinte e vão se empolgando a cada página – e não param. O resultado é sempre desastroso. Você pode chegar atrasado ao trabalho, ganhar algumas olheiras, além da necessidade de inventar algumas desculpas para justificar os possíveis atrasos.
Algumas considerações: sua cara estará como quem chegou de uma noitada de arromba. De duas, uma, ou você inventa que estava no hospital tratando de um ente querido, ou vai ter que inventar que seu cachorro estava doente e levou a noite só com preocupação. Ou optar pela clássica: “Tive insônia por causa das minhas preocupações com o trabalho.” Pronto. Um leque de opções estão dadas, basta você escolher uma.
Último aviso, se você espera uma história de amor simples e previsível não leia “Um Dia”. Não é apenas a história de dois grandes amigos, cujo amor os completa, mas é um romance onde o previsível termina e a vida começa.
“Um Dia” é daqueles livros gloriosos, que quando você fecha se sente como se estivesse perdendo dois amigos muito queridos: Dexter Mayhew e Emma Morley. David Nicholls domina a arte da prosa com um apelo muito grande. É despretensioso, incrivelmente fácil de ler, e ainda assim impressionantemente literário.
Cada capítulo conta a história do mesmo dia, 15 de julho, ano após ano. Em alguns desses anos, eles estão próximos – geográfica ou emocionalmente – , noutros , não estão; mas estão sempre de alguma forma ligados um ao outro, pensando um no outro, e como em todas as histórias desse tipo, o leitor sabe que eles devem estar juntos muito antes de chegar ao final.
A história começa no dia após a formatura dos dois jovens na Universidade de Edimburgo. Eles estudam juntos, mas só se conhecem de verdade no dia da formatura. Depois de algumas bebidas além da conta, Dexter e Emma acabam na cama dela. Ela gosta dele, mas sabe que ele não é de uma mulher só. Ele se pergunta “como é que nunca tinha reparado nela antes”, mas sabe que precisa seguir seu caminho, antes que as coisas saiam dos planos. O dia amanhece e a data é 15 de julho de 1988, dia de São Swithin's. Nesse dia há uma tradição: se chover no São Swithin, choverá nos próximos quarenta dias, ou durante todo o verão.
Dexter é um desses caras bonitos, de família rica e destinado ao sucesso. Nicholls faz Emma dizer:
“O rosto era daqueles em que você enxerga os ossos por baixo da pele, como se até a caveira fosse bonita.” (pg. 15)
Emma é natural da cidade de Leeds, Inglaterra, sofre de baixa autoestima, possuidora de uma consciência social, leva a vida muito a sério. Emma está assustada com a ideia de que está prestes a embarcar em uma nova vida adulta, independente, e se sente mal-equipada para essa tarefa.
“...uma vida adulta e independente. Mas ela não se sentia adulta. Não estava preparada, de jeito nenhum. Era como se um alarme de incêndio tivesse disparado de madrugada e ela se encontrasse no meio da rua com as roupas emboladas no braço.Se não tinha aprendido nada, o que iria fazer? Como preencheria os próximos dias?Não tinha a menor idéia.
O negócio era ser corajosa e ousada e realizar alguma coisa, pensou consigo mesma. Não exatamente mudar o mundo, só um pouco “a sua volta. Sair por aí com um diploma com honras de primeiro lugar em duas matérias, muita paixão e a nova máquina de escrever Smith Corona e trabalhar muito em... alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Escrever coisas bonitas. Agradar aos amigos, continuar fiel aos seus próprios princípios, viver plenamente, bem e com paixão. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se possível. Comer com moderação. Coisas assim.” (pg.22)
Emma tem certeza que após essa primeira noite, ela nunca mais iria ouvir a voz de Dexter novamente. Como ela estava errada! Naquela noite, aparentemente casual, eles dão início a uma amizade que se tornaria o relacionamento mais significativo em suas vidas.
Depois dessa noite, seguem seus rumos e se tornam grandes amigos. O mais interessante desse livro é que cada capítulo se passa em um “15 de julho”. Ano após ano, sempre no mesmo dia, ficamos sabendo o que está acontecendo na vida deles. E, mesmo sendo apenas um único dia por ano, conseguimos acompanhar toda a história de vida desses personagens! Uma amizade simplesmente invejável. Daquelas que sonhamos ter.
No decorrer da leitura, veremos que o destino de ambos adquire diferentes rotas nessa estrada chamada vida. Dexter não precisa dar duro no trabalho, seus anos são vividos de forma hedonista na TV como apresentador de um programa de juventude, na década de 90. Drogas, cocktails e mulheres fazem parte de sua rotina. Emma trabalha como professora numa escola e vai tocando sua vida afetiva entre vários relacionamentos confusos e errantes.
Com pura emoção e um humor fino, o livro abrange uma amizade de 20 anos, em que o leitor irá mergulhar na surpreendente vida desses dois personagens principais. A prosa de Nicholls é rápida e sem desculpas. As páginas alternam entre diálogos, monólogos interiores e observações poéticas. Vemos Emma e Dexter em situações humanas identificáveis. Eles lutam como todos nós com as grandes questões sobre amor, relacionamentos, carreiras e erros.
Entre muitas coisas, “Um Dia” é um romance convincente e cativante. A alegria que Emma e Dexter encontram um no outro, a paquera, as brincadeiras que às vezes escondem o ressentimento, a forma como as mudanças de relação evoluem com o passar dos anos, tudo isso os tornam reais e próximos.
O autor não romantiza qualquer personagem. Embora, sem dúvida, durante a leitura haverá leitores que torcerão para que Dexter e Emma finalmente “fiquem juntos”. Será que eles vão ficar ou não? Não cortarei esse prazer de vocês. Leiam e verão.
Inspiração
Sete Pessoas. Sete cabeças diferentes. Sete posts na semana sobre diferentes temas. Um bicho de sete cabeças.
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
domingo, 31 de julho de 2011
Não dá para parar de ler: 001. Um dia - David Nicholls
Marcadores:
Comédia Romântica,
David Nicholls,
domingo,
Literatura,
Livros,
Não dá para parar de ler,
Romance,
Um dia
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Arte, Literatura e o que mais vier na telha
Eu não sabia exatamente sobre o que escrever... não que isso faça muita diferença, mas sempre há algo interessante.
"Não que isso faça alguma diferença!"
Essa frase virou jargão no hotel depois que eu contei trechos de "O Estrangeiro" de Albert Camus.
O personagem principal começa a sair com uma garota... é legal, eles se curtem e tals, rola o que tem que rolar, daí num dado momento ela pergunta "Você me ama?"
E ele responde "Não que isso faça alguma diferença, mas acho que não!"
Este livro e o Conde de Monte Cristo fizeram com que eu revisse meus pré-conceitos de "não gosto de romances" - leia-se romance = estorinhas de mentirinha...
O livro, por mais que eu saiba que a coisa não aconteceu, me dá coisas, perturba mas faz sentido... porque pode haver pessoas assim. Estão erradas?
Não. É ponto de vista!
Mas choca. Tudo o que foge do senso comum choca!
E acho que esse conceito se aplica à arte também!
Qual o critério usado pra classificar algo como arte?
uma criança de 5 anos é classificada como artista e suas telas são vendidas por verdadeiras fortunas... não lembro onde li isso, mas lembro que vi na foto a criança com as mãos todas lambuzadas de tinta e as telas que pareciam ter sido bombardeadas por um time de paintball.
Romero Britto cria um Smile com braços e aplica mais cores e vira a coqueluche do momento. Comercial, relativamene fácil de se copiar, mas é arte... ok! Assim dizem!
E o cara que criou o Smile? É considerado um artista?
Estou levantando estas questões as nem eu mesma tenho as respostas. Contradigo-me o tempo todo! Acho que a pintura é o mais difícil de classificar!
Teatro e música eu não questiono muito. Mas será que deveria?
Estando de acordo ou não com aquilo que eu considero de bom gosto, o cara aprendeu a ler as notas musicais e traduzir sua visão de mundo através delas. Vejam vem, eu estou falando daqueles que FAZEM música, não dos adolescentezinhos que aprenderam a tocar Nirvana e só tocam isso E Extreme sentados nas calçadas das vilas! Em tempo: adoro Extreme!
E o teatro, nem me fale! Sair da realidade por um instante e se dar a chance de entrar num universo lúdico, totalmente à parte, é algo que considero lindo! Trazer isso a publico é mais lindo ainda!
Mas e o Clodovil? Vocês lembram quando o finado colocou cinta liga e salto alto e lançou uma peça?
Arte? Faça-me o favor!
Aí eu volto um pouco pra filosofia... a tendência do ser humano é buscar um sentido para a vida. Então os que tem suas religiosidades, encontram suas bases ali...
Opa, perdi o fio da meada... graças ao jornal que exibiu a entrevista de uma mulher no foco da dengue que dizia algo em torno da água que estava "cheia de MICÓBRIO"
MICÓBRIO DE QUÊ??? Ai... divaguei! Tô tão lerda hoje!
Aiai... Eu falava que o sentido da vida...
Se você considerar que a vida acaba, e pautar a sua vida, ou seja, o processo, no resultado que quer obter ao final, tá perdido! Se lá no fim não houver nada, já era, dançou!
Então tem gente que procura na arte, respostas para o terror da existência!
Porque eles tem medo de existir pra nada!
Mas se voltarmos lá em cima "Não que isso faça alguma diferença"
Católico, evangélico, budista ou ateu, tenho lá minhas convicções de que estamos todos no mesmo barco... e que realmente não faz a menoooor diferença!
Mas os artistas seguem tentando explicar o mundo através de linguagens não verbais.
Será que é isso ou será que eu já estou com sono!
Acho que é o item dois...
Normalmente consigo conduzir melhor um pensamento, mas hoje, trabalhando em meio a britadeiras e lixadeiras... acho que meus neurônios estão meio debilitados!
Amanhã é mais um dia! Não que isso faça alguma diferença mas eu vou trabalhar!!!
E se algum artista ou intelectual da área estiver lendo isto, não se ofenda! E ignorância pura! Ajuda a gente aí!
De repente eu sou uma artista aí e não sei!
Então, bom final de semana a todos e que a gente se questione sempre mais!
"Não que isso faça alguma diferença!"
Essa frase virou jargão no hotel depois que eu contei trechos de "O Estrangeiro" de Albert Camus.
O personagem principal começa a sair com uma garota... é legal, eles se curtem e tals, rola o que tem que rolar, daí num dado momento ela pergunta "Você me ama?"
E ele responde "Não que isso faça alguma diferença, mas acho que não!"
Este livro e o Conde de Monte Cristo fizeram com que eu revisse meus pré-conceitos de "não gosto de romances" - leia-se romance = estorinhas de mentirinha...
O livro, por mais que eu saiba que a coisa não aconteceu, me dá coisas, perturba mas faz sentido... porque pode haver pessoas assim. Estão erradas?
Não. É ponto de vista!
Mas choca. Tudo o que foge do senso comum choca!
E acho que esse conceito se aplica à arte também!
Qual o critério usado pra classificar algo como arte?
uma criança de 5 anos é classificada como artista e suas telas são vendidas por verdadeiras fortunas... não lembro onde li isso, mas lembro que vi na foto a criança com as mãos todas lambuzadas de tinta e as telas que pareciam ter sido bombardeadas por um time de paintball.
Romero Britto cria um Smile com braços e aplica mais cores e vira a coqueluche do momento. Comercial, relativamene fácil de se copiar, mas é arte... ok! Assim dizem!
E o cara que criou o Smile? É considerado um artista?
Estou levantando estas questões as nem eu mesma tenho as respostas. Contradigo-me o tempo todo! Acho que a pintura é o mais difícil de classificar!
Teatro e música eu não questiono muito. Mas será que deveria?
Estando de acordo ou não com aquilo que eu considero de bom gosto, o cara aprendeu a ler as notas musicais e traduzir sua visão de mundo através delas. Vejam vem, eu estou falando daqueles que FAZEM música, não dos adolescentezinhos que aprenderam a tocar Nirvana e só tocam isso E Extreme sentados nas calçadas das vilas! Em tempo: adoro Extreme!
E o teatro, nem me fale! Sair da realidade por um instante e se dar a chance de entrar num universo lúdico, totalmente à parte, é algo que considero lindo! Trazer isso a publico é mais lindo ainda!
Mas e o Clodovil? Vocês lembram quando o finado colocou cinta liga e salto alto e lançou uma peça?
Arte? Faça-me o favor!
Aí eu volto um pouco pra filosofia... a tendência do ser humano é buscar um sentido para a vida. Então os que tem suas religiosidades, encontram suas bases ali...
Opa, perdi o fio da meada... graças ao jornal que exibiu a entrevista de uma mulher no foco da dengue que dizia algo em torno da água que estava "cheia de MICÓBRIO"
MICÓBRIO DE QUÊ??? Ai... divaguei! Tô tão lerda hoje!
Aiai... Eu falava que o sentido da vida...
Se você considerar que a vida acaba, e pautar a sua vida, ou seja, o processo, no resultado que quer obter ao final, tá perdido! Se lá no fim não houver nada, já era, dançou!
Então tem gente que procura na arte, respostas para o terror da existência!
Porque eles tem medo de existir pra nada!
Mas se voltarmos lá em cima "Não que isso faça alguma diferença"
Católico, evangélico, budista ou ateu, tenho lá minhas convicções de que estamos todos no mesmo barco... e que realmente não faz a menoooor diferença!
Mas os artistas seguem tentando explicar o mundo através de linguagens não verbais.
Será que é isso ou será que eu já estou com sono!
Acho que é o item dois...
Normalmente consigo conduzir melhor um pensamento, mas hoje, trabalhando em meio a britadeiras e lixadeiras... acho que meus neurônios estão meio debilitados!
Amanhã é mais um dia! Não que isso faça alguma diferença mas eu vou trabalhar!!!
E se algum artista ou intelectual da área estiver lendo isto, não se ofenda! E ignorância pura! Ajuda a gente aí!
De repente eu sou uma artista aí e não sei!
Então, bom final de semana a todos e que a gente se questione sempre mais!
domingo, 21 de novembro de 2010
Escolas devem dar asas
"Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."
(Rubem Alves)
Nem tudo na vida se aprende. Nem tudo dá pra ser dito, para algumas coisas o conhecimento está dentro, é só se descobrir.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."
(Rubem Alves)
Nem tudo na vida se aprende. Nem tudo dá pra ser dito, para algumas coisas o conhecimento está dentro, é só se descobrir.
Marcadores:
domingo,
Literatura,
Rubem Alves
domingo, 14 de novembro de 2010
Balada Literária (18 a 21 de Novembro)
É São Paulo tem dessas, balada pra falar de literatura. E eu aproveito.
Este ano a Balada Literária completa 5 anos, e traz como homenageada Lygia Fagundes Telles, escritora paulistana que vai relançar toda sua obra pela Cia das Letras.
O criador e organizador deste projeto é Marcelino Freire, um escritor que consegue colocar humor e falar da nossa realidade sem ridicularizar o tema.
O evento também conta com o apoio do Itaú Cultural, Sesc Pinheiros, Teatro Brincante, Bar Mercearia São Pedro, entre outros.
Este ano o evento traz nomes como: Alice Ruiz, Augusto de Campos, José Castello, Marcelo Rubens Paiva, e muitos mais!
Uma das atrações de destaque é a peça: "Los Críticos También Lloran" que é baseado na obra do chileno Roberto Bolaño.
Todos os eventos são gratuitos.
Portanto, prepare-se e divirta-se!
Aqui a programação Completa. Eu destaco:
18/11 - 20h30 - Fabiana Cozza - Centro Cultural b_arco
21/11 - 11h - Marcelino Freire conversa com Antonio Cicero e José Castello - Livraria da Vila
21/11 - 15h - Bate-papo com Alice Ruiz - Centro Cultural b_arco
25/11 - 20h - Na ressaca literária - Marcelino Freire conversa sobre música e literatura com Antonio Nóbrega e Siba - Teatro Brincante
Durante todo o evento também vai rolar uma exposição fotográfica que traz 12 retratos de escritores também na Livraria da Vila
Siga a Balada Literária Aqui.
Para ficar com gosto de quero mais, um hai-kai da Alice Ruiz:
Um Olhar (Alice Ruiz)
o poeta me viu
bastou um olhar
e pode ver
a mola mestra
da aprendiz
que sou
a escolha que fiz
no avesso e apesar
da sorte adversa
de não pesar
de ser feliz
poeta é quem vê
o que não é de dizer
e ainda assim
diz
Este ano a Balada Literária completa 5 anos, e traz como homenageada Lygia Fagundes Telles, escritora paulistana que vai relançar toda sua obra pela Cia das Letras.
O criador e organizador deste projeto é Marcelino Freire, um escritor que consegue colocar humor e falar da nossa realidade sem ridicularizar o tema.
O evento também conta com o apoio do Itaú Cultural, Sesc Pinheiros, Teatro Brincante, Bar Mercearia São Pedro, entre outros.
Este ano o evento traz nomes como: Alice Ruiz, Augusto de Campos, José Castello, Marcelo Rubens Paiva, e muitos mais!
Uma das atrações de destaque é a peça: "Los Críticos También Lloran" que é baseado na obra do chileno Roberto Bolaño.
Todos os eventos são gratuitos.
Portanto, prepare-se e divirta-se!
Aqui a programação Completa. Eu destaco:
18/11 - 20h30 - Fabiana Cozza - Centro Cultural b_arco
21/11 - 11h - Marcelino Freire conversa com Antonio Cicero e José Castello - Livraria da Vila
21/11 - 15h - Bate-papo com Alice Ruiz - Centro Cultural b_arco
25/11 - 20h - Na ressaca literária - Marcelino Freire conversa sobre música e literatura com Antonio Nóbrega e Siba - Teatro Brincante
Durante todo o evento também vai rolar uma exposição fotográfica que traz 12 retratos de escritores também na Livraria da Vila
Siga a Balada Literária Aqui.
Para ficar com gosto de quero mais, um hai-kai da Alice Ruiz:
Um Olhar (Alice Ruiz)
o poeta me viu
bastou um olhar
e pode ver
a mola mestra
da aprendiz
que sou
a escolha que fiz
no avesso e apesar
da sorte adversa
de não pesar
de ser feliz
poeta é quem vê
o que não é de dizer
e ainda assim
diz
Marcadores:
Alice Ruiz,
domingo,
Literatura,
Marcelino Freire
domingo, 17 de outubro de 2010
O Humor.
Comecei este post completamente sem idéia, aí me lembrei da máxima: "Não tem idéia do que escrever? Leia!" e então recorri a um dos meus favoritos.
André Comte-Sponville, filósofo francês.
Dele já li dois livros ótimos: "O amor a solidão" e "Pequeno tratado das grandes virtudes" e como ando viciada em eBooks, encontrei agora o "A felicidade, desesperadamente" que já entrou na fila.
O Humor, como virtude. E humor lá é virtude? Também me fiz a mesma pergunta. Mas Comte-Sponville justifica, dizendo que qualquer seriedade é condenável quando falamos de nós mesmos. Me parece justo.
"Não exageremos porém a importância do humor. Um canalha pode ter humor; um herói pode não ter. Mas isso é verdade, como vimos, para a maioria das virtudes, e não prova nada contra o humor, a não ser, o que é claríssimo, que ele
não prova nada. Mas se quisesse provar continuaria sendo humor?"
"Mas há rir e rir, e cumpre distinguir aqui o humor da ironia. A ironia não é uma virtude, é uma arma – voltada quase sempre contra outrem. É o riso mau, sarcástico, destruidor, o riso da zombaria, o riso que fere, que pode matar, (...), é o riso do ódio, é o riso do combate. Útil? Como não, quando necessário! Que arma não o é? Mas nenhuma arma é a paz, nenhuma ironia é o humor. A linguagem pode enganar. Nossos humoristas, como se diz, ou como eles se dizem, muitas vezes não passam de ironistas, de satiristas – e, por certo, são necessários. Mas os melhores misturam os dois gêneros (...) Somente a verdade é engraçada, em todo caso humorística, só ela pode sê-lo, e é por isso que o disparate tantas vezes nos diverte: porque nada é verdadeiro no sentido, a não ser pela seriedade que lhe damos e que o humor não suprime (...), mas relativiza, alivia, afasta, fragiliza de forma feliz, em relação à qual, enfim, ele nos liberta (pois se pode gracejar de tudo) sem a abolir (já que o humor deixa o real imutado e já que nossos desejos, nossas crenças, nossas ilusões fazem parte dele)."
André Comte-Sponville, filósofo francês.
Dele já li dois livros ótimos: "O amor a solidão" e "Pequeno tratado das grandes virtudes" e como ando viciada em eBooks, encontrei agora o "A felicidade, desesperadamente" que já entrou na fila.
O Humor, como virtude. E humor lá é virtude? Também me fiz a mesma pergunta. Mas Comte-Sponville justifica, dizendo que qualquer seriedade é condenável quando falamos de nós mesmos. Me parece justo.
"Não exageremos porém a importância do humor. Um canalha pode ter humor; um herói pode não ter. Mas isso é verdade, como vimos, para a maioria das virtudes, e não prova nada contra o humor, a não ser, o que é claríssimo, que ele
não prova nada. Mas se quisesse provar continuaria sendo humor?"
"Mas há rir e rir, e cumpre distinguir aqui o humor da ironia. A ironia não é uma virtude, é uma arma – voltada quase sempre contra outrem. É o riso mau, sarcástico, destruidor, o riso da zombaria, o riso que fere, que pode matar, (...), é o riso do ódio, é o riso do combate. Útil? Como não, quando necessário! Que arma não o é? Mas nenhuma arma é a paz, nenhuma ironia é o humor. A linguagem pode enganar. Nossos humoristas, como se diz, ou como eles se dizem, muitas vezes não passam de ironistas, de satiristas – e, por certo, são necessários. Mas os melhores misturam os dois gêneros (...) Somente a verdade é engraçada, em todo caso humorística, só ela pode sê-lo, e é por isso que o disparate tantas vezes nos diverte: porque nada é verdadeiro no sentido, a não ser pela seriedade que lhe damos e que o humor não suprime (...), mas relativiza, alivia, afasta, fragiliza de forma feliz, em relação à qual, enfim, ele nos liberta (pois se pode gracejar de tudo) sem a abolir (já que o humor deixa o real imutado e já que nossos desejos, nossas crenças, nossas ilusões fazem parte dele)."
Marcadores:
André Comte-Sponville,
domingo,
Filosofia,
Humor,
Literatura
domingo, 10 de outubro de 2010
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu me traz muitas recordações, ele é dono de uma sensibilidade enorme e consegue tocar lá no fundo.
Neste post, alguns trechos dele:
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier.
Teu cheiro fica grudado na minha pele quando a gente se separa.
E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim.
Você pode estar detestando tudo isso e achando longo e choroso e confuso. Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.
Foi mau, ontem. Fui mau, também. Menos com você, mais comigo mesmo.
Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos, (...) tinha de ser justo amor, meu Deus?
E apesar do meu medo há em mim uma paz enorme que eu chamo de felicidade.
São livros (mas podem ser canções, filmes, quadros, peças e antigamente até pessoas) que você ama tanto que quer ficar morando dentro deles.
Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.
Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo.
Onde se encontra a beleza? Nas grandes coisas que, como as outras, estão condenadas a morrer, ou nas pequenas que, sem nada pretender, sabem incrustar no instante uma preciosa pedrinha de infinito? (Muriel Barbery)
Hoje, também é Niver da Pri (Segunda-Feira) uma amiga e tanto! Desejo a ela tudo aquilo de sempre: muita paz, amor, saúde, sucesso, felicidades e um MUNDO MELHOR!! Cuide-se querida.
Neste post, alguns trechos dele:
| Caio Fernando Abreu (quando jovem) |
Teu cheiro fica grudado na minha pele quando a gente se separa.
E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim.
Você pode estar detestando tudo isso e achando longo e choroso e confuso. Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.
Foi mau, ontem. Fui mau, também. Menos com você, mais comigo mesmo.
Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos, (...) tinha de ser justo amor, meu Deus?
E apesar do meu medo há em mim uma paz enorme que eu chamo de felicidade.
São livros (mas podem ser canções, filmes, quadros, peças e antigamente até pessoas) que você ama tanto que quer ficar morando dentro deles.
Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.
Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo.
Onde se encontra a beleza? Nas grandes coisas que, como as outras, estão condenadas a morrer, ou nas pequenas que, sem nada pretender, sabem incrustar no instante uma preciosa pedrinha de infinito? (Muriel Barbery)
Hoje, também é Niver da Pri (Segunda-Feira) uma amiga e tanto! Desejo a ela tudo aquilo de sempre: muita paz, amor, saúde, sucesso, felicidades e um MUNDO MELHOR!! Cuide-se querida.
Marcadores:
Caio Fernando Abreu,
domingo,
Literatura,
Priscila Costa
Assinar:
Postagens (Atom)

