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domingo, 11 de março de 2012

Não dá para parar de ler: 002 - Está na Mesa - Receitas com pitadas literárias

Sou apaixonada pelos livros de cozinha, e por trabalhar numa loja que tem uma livraria, acabo me beneficiando de alguns achados.
Livros por 1 real, 2 reais, 5..., dificilmente esses achados passam de 20 reais.
E claro que os que acabam custando 20, são os que antes cutavam 80, 100, 120...
Hoje vou falar um pouco sobre um desses achados.

Essa descoberta especial se chama: Está na mesa - Receitas com pitadas literárias (Rubem Alves e Christian Bauer), esse eu garimpei por $9,90. Mas vamos ao livro, Rubem Alves é um dos meus escritores favoritos, e sem dúvida alguma tem umas sacadas muito boas, tive o meu primeiro contato com ele através de um texto que falava sobre as pipocas (Está logo ali no fim do post), depois numa palestra sobre educação, e assim, me apaixonei!
Quando dei de cara com um livro que unia receitas e sacadas dele, como já li por aí... o livro tinha que ser meu.
Esse livro tem uma peculiaridade, a maioria das receitas são de "confort food", sabe aquelas receitas de vó? de mãe? de interior? Receita pra "curar" doença, pra abrir sorriso, pra matar as bichas, pra esquecer de amor do passado. Confort Food.
Para aguçar os paladares, em uma receita de "Frango alcoolizado" há um trecho que diz assim: "A cozinheira existe para dar prazer. Essa é a sua arte. Ela sabe o Kama Sutra da boca: as infinitas maneiras de se fazer amor com os lábios, com a língua, com o nariz, com as víceras. Sim, com as víceras, porque há prazeres que só se revelam em sua plenitude no silêncio escuro de nossas alcovas de amor internas, Como o prazer do vinho..."

Esse é só um tira gosto, pra atiçar, aguçar, e quem sabe apaixonar...

Agora o texto das Pipocas: A pipoca - Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.
Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.
Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas.
Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.
A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.
A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.
Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.
Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.
Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.
"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.
Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.
Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

Este texto foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP) da coluna do escritor.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Só não lê quem não quer!!!!

O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler. (Mark Twain)


Para mim ler é essencial. Enriquece o conhecimento, o vocabulário, a imaginação, ajuda a escrever certo e melhor. Sempre estou lendo alguma coisa, acho fundamental para o crescimento de qualquer pessoa. Muita gente não gosta, muita gente diz que não lê porque não tem dinheiro, não tem tempo, estas coisas todas. Se seu problema é a falta de grana para comprar livros, segue algumas dicas:

Depois do onibus-biblioteca (quem se lembra? eu acabei de descobrir que ele ainda existe!) agora chegou a vez do taxi-biblioteca. Um projeito bem bacana na Vila Madalena (tinha que ser!) para manter o livro sempre em movimento. Mais informações aqui!

Outro dia fui lá na biblioteca Mário de Andrade, no centro da cidade de São Paulo. Para quem ainda não foi recomendo e assino embaixo. Vá com bastante tempo, tem muita coisa para ler e também livros e materiais de pesquisa para fazer empréstimo.

Outra boa alternativa são as bibliotecas dos SESCs, espalhados pela cidade inteira. Teve uma época que eu sempre fazia empréstimos de livros na Unidade Pinheiros. Muito bom e prático, se você é comerciário ou usuário do SESC.

Existem muitas bibliotecas espalhadas pela cidade. segue uma relação aqui!

Outra boa pedida e que eu amo é as bibliotecas do Centro Cultural São Paulo. Muita mas muita coisa memso, inclusive uma gibiteca! Muito bom inclusive para se fazer trabalhos acadêmicos (já fiz muitos lá).

É isso meu povo. Leiam sempre! E bom final de semana!


PS.: Hoje é niver da minha hermana Rita Martinez, que escrevia neste abandonado blog as quintas-feiras. Meus parabéns a ela e muitas felicidades! e tudo de bom nesta nova etapa da vida...

domingo, 31 de julho de 2011

Não dá para parar de ler: 001. Um dia - David Nicholls

Livro: Um Dia
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca
Categoria: Literatura Internacional / Romance
ISBN: 9788580570458
Páginas: 416
Lançamento: 2011

Hoje começo uma série, que decidi chamar de "Não dá para parar de ler". Com este livro que fez parte das minhas leituras de férias.
Tudo começou em um dia. 15 de julho de 1988 (ou 15 de julho de 2011 para mim - sim, por "co-incidência" o livro chegou nas minhas mãos nesse fatídico dia), após a formatura de Emma e Dexter. Dex nunca notou antes desse dia a existência de Emma. E após passarem a noite juntos, apenas bêbados e pesarosos quanto ao futuro, a vida prossegue com rumos distintos ou não.

David Nicholls é uma dessas gratas revelações que acontecem no meio literário e que trazem o frescor de um enorme talento. Mas muita ATENÇÃO!!! “Um dia” é um livro perigoso, principalmente para aqueles que precisam trabalhar no dia seguinte e vão se empolgando a cada página – e não param. O resultado é sempre desastroso. Você pode chegar atrasado ao trabalho, ganhar algumas olheiras, além da necessidade de inventar algumas desculpas para justificar os possíveis atrasos.
Algumas considerações: sua cara estará como quem chegou de uma noitada de arromba. De duas, uma, ou você inventa que estava no hospital tratando de um ente querido, ou vai ter que inventar que seu cachorro estava doente e levou a noite só com preocupação. Ou optar pela clássica: “Tive insônia por causa das minhas preocupações com o trabalho.” Pronto. Um leque de opções estão dadas, basta você escolher uma.
Último aviso, se você espera uma história de amor simples e previsível não leia “Um Dia”. Não é apenas a história de dois grandes amigos, cujo amor os completa, mas é um romance onde o previsível termina e a vida começa.

“Um Dia” é daqueles livros gloriosos, que quando você fecha se sente como se estivesse perdendo dois amigos muito queridos: Dexter Mayhew e Emma Morley. David Nicholls domina a arte da prosa com um apelo muito grande. É despretensioso, incrivelmente fácil de ler, e ainda assim impressionantemente literário.

Cada capítulo conta a história do mesmo dia, 15 de julho, ano após ano. Em alguns desses anos, eles estão próximos – geográfica ou emocionalmente – , noutros , não estão; mas estão sempre de alguma forma ligados um ao outro, pensando um no outro, e como em todas as histórias desse tipo, o leitor sabe que eles devem estar juntos muito antes de chegar ao final.

A história começa no dia após a formatura dos dois jovens na Universidade de Edimburgo. Eles estudam juntos, mas só se conhecem de verdade no dia da formatura. Depois de algumas bebidas além da conta, Dexter e Emma acabam na cama dela. Ela gosta dele, mas sabe que ele não é de uma mulher só. Ele se pergunta “como é que nunca tinha reparado nela antes”, mas sabe que precisa seguir seu caminho, antes que as coisas saiam dos planos. O dia amanhece e a data é 15 de julho de 1988, dia de São Swithin's. Nesse dia há uma tradição: se chover no São Swithin, choverá nos próximos quarenta dias, ou durante todo o verão.
Dexter é um desses caras bonitos, de família rica e destinado ao sucesso. Nicholls faz Emma dizer:
“O rosto era daqueles em que você enxerga os ossos por baixo da pele, como se até a caveira fosse bonita.” (pg. 15)

Emma é natural da cidade de Leeds, Inglaterra, sofre de baixa autoestima, possuidora de uma consciência social, leva a vida muito a sério. Emma está assustada com a ideia de que está prestes a embarcar em uma nova vida adulta, independente, e se sente mal-equipada para essa tarefa.
“...uma vida adulta e independente. Mas ela não se sentia adulta. Não estava preparada, de jeito nenhum. Era como se um alarme de incêndio tivesse disparado de madrugada e ela se encontrasse no meio da rua com as roupas emboladas no braço.Se não tinha aprendido nada, o que iria fazer? Como preencheria os próximos dias?Não tinha a menor idéia.
O negócio era ser corajosa e ousada e realizar alguma coisa, pensou consigo mesma. Não exatamente mudar o mundo, só um pouco “a sua volta. Sair por aí com um diploma com honras de primeiro lugar em duas matérias, muita paixão e a nova máquina de escrever Smith Corona e trabalhar muito em... alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Escrever coisas bonitas. Agradar aos amigos, continuar fiel aos seus próprios princípios, viver plenamente, bem e com paixão. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se possível. Comer com moderação. Coisas assim.” (pg.22)
Emma tem certeza que após essa primeira noite, ela nunca mais iria ouvir a voz de Dexter novamente. Como ela estava errada! Naquela noite, aparentemente casual, eles dão início a uma amizade que se tornaria o relacionamento mais significativo em suas vidas.
Depois dessa noite, seguem seus rumos e se tornam grandes amigos. O mais interessante desse livro é que cada capítulo se passa em um “15 de julho”. Ano após ano, sempre no mesmo dia, ficamos sabendo o que está acontecendo na vida deles. E, mesmo sendo apenas um único dia por ano, conseguimos acompanhar toda a história de vida desses personagens! Uma amizade simplesmente invejável. Daquelas que sonhamos ter.
No decorrer da leitura, veremos que o destino de ambos adquire diferentes rotas nessa estrada chamada vida. Dexter não precisa dar duro no trabalho, seus anos são vividos de forma hedonista na TV como apresentador de um programa de juventude, na década de 90. Drogas, cocktails e mulheres fazem parte de sua rotina. Emma trabalha como professora numa escola e vai tocando sua vida afetiva entre vários relacionamentos confusos e errantes.

Com pura emoção e um humor fino, o livro abrange uma amizade de 20 anos, em que o leitor irá mergulhar na surpreendente vida desses dois personagens principais. A prosa de Nicholls é rápida e sem desculpas. As páginas alternam entre diálogos, monólogos interiores e observações poéticas. Vemos Emma e Dexter em situações humanas identificáveis. Eles lutam como todos nós com as grandes questões sobre amor, relacionamentos, carreiras e erros.
Entre muitas coisas, “Um Dia” é um romance convincente e cativante. A alegria que Emma e Dexter encontram um no outro, a paquera, as brincadeiras que às vezes escondem o ressentimento, a forma como as mudanças de relação evoluem com o passar dos anos, tudo isso os tornam reais e próximos.

O autor não romantiza qualquer personagem. Embora, sem dúvida, durante a leitura haverá leitores que torcerão para que Dexter e Emma finalmente “fiquem juntos”. Será que eles vão ficar ou não? Não cortarei esse prazer de vocês. Leiam e verão.

Inspiração

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Literatura é cachaça. Vicia.

" Literatura é cachaça. Vicia.
A gente começa com um cálice
e acaba pau d'água na cadeia "




Monteiro Lobato - 129 anos completados hoje

E depois de um final de semana recheado de shows e pessoas, o Google me recorda desse autor que fez parte da minha literatura infantil.

No Google ha 4.080,00 resultados. Ele na minha vida tem 1: o despertar da literatura. O vicio.

Lembro que dos vários livros que "roubei" da biblioteca da escola, eram dele. Sonhava ter uma avó como a Dona Benta, já que a minha mãe não tinha muita paciência de ler histórinhas antes de dormir.




"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre – perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é? "


domingo, 16 de janeiro de 2011

Hoje o dia amanheceu ao som de Jazz e com cheiro de confort food.

E me lembrei do Pedante na cozinha:

O resultado de tudo isso - e teimo em culpa "tudo isso", e não a mim - é que, embora hoje eu cozinhe com entusiasmo e prazer, também o faço com pouca sensação de liberdade ou imaginação. Preciso de uma lista de compras feita com perfeição e de um livro de receitas complacente. O ideal das compras descontraídas - sair por aí com um cesto de vime na maior tranqüilidade, comprando o que o dia e o mercado tiver de melhor a oferecer e, depois, transformar tudo em um prato que pode, ou não, ter sido feito antes - sempre estará além da minha capacidade.

Gosto da maneira sincera como o pedante escreve... Vale conferir o livro.