Hoje, vem uma indicação de blog, sempre que a gente anda um pouco pela internet se depara com "vida inteligente" e de ótimas sacadas. Hoje o blog de uma Jornalista.
Com o nome sugestivo de "As vacas vão pro céu", que segundo a autora, se elas vão, quem sabe ela também não vá?
Como amostra grátis, aqui um texto dela, sobre o tempo:
Com o tempo, e primeiramente, desenvolvi a capacidade de escrever no escuro. Depois, sem olhar. Passei a saber como ler de olhos fechados, sem titubear. O que a vida me encaminhava, eu aprendia. E nunca deixei de cumprir nenhuma tarefa, nem que fosse copiar à mão intermináveis números de notas fiscais para um livro fiscal preto e velho. Ou bater à máquina uma guia de recolhimento de imposto no valor de um centavo, à título de reajuste. E depois enfrentar uma encaracolada fila de banco para pagá-la. Eu fui tudo isso. E fiz. Meu 1º emprego. Aos poucos fui perdendo a seda da pele.
Hoje, quatro anos depois, já fui outras várias e ainda não me escolhi. Atualmente, estou desenvolvendo a habilidade de sentir qualquer cheiro a metros de distância. O cheio de Guarapan na distante mesa de almoço. O cheiro de um fumante à quilômetros. Incenso ligado no apartamento vizinho. Me tornei uma cachorra com faro apurado.
Agora, me faltam as capacidades de sentir sem toque e ouvir o silêncio dos mortos. Comer algodão – e o gosto na boca.
Desenvolvi o riso, a escuta e a fala. E hoje luto para não ser uma eterna promessa. Quero fugir, quero mudar. Quero respirar fumaça. Correr atrás da crença e da desgraça. Quero ser o alvo da crítica qualificada. E dar a opinião acertada. Ter a unha e cabelos feitos. A pele lisa. Minha mão macia, a boca-maçã. Os olhos vidrados. Vai ser livre! (...) "Vai sem direção, vai ser livre... O que você quer saber de verdade?" (Arnaldo Antunes)
A moça que escreve é essa! e o blog tá aqui.
Gosto de gente que escreve diferente, que tem uma outra visão do mundo, que sai do lugar-comum.
O blog dela é assim cheio de "coisices" como diria uma amiga, com poesia, com palavras que trazem vale-sorriso embutido.
Dá pra se perder por lá por uns tempos e sair dando bom dia pras lagartas. =]
Sete Pessoas. Sete cabeças diferentes. Sete posts na semana sobre diferentes temas. Um bicho de sete cabeças.
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domingo, 26 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Saudades
"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos.
Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer"
Texto de Martha Medeiros, jornalista e escritora de crônicas e poesias. Conheço ela a quase a uma semana. Quem me apresentou foi o Junior. Amigo, que me acompanhou na 21º Bienal do Livro São Paulo.
Blog pessoal
E por hora, sinto saudades do nascer do sol e da tranquilidade São Tomé das Letras
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos.
Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer"
Texto de Martha Medeiros, jornalista e escritora de crônicas e poesias. Conheço ela a quase a uma semana. Quem me apresentou foi o Junior. Amigo, que me acompanhou na 21º Bienal do Livro São Paulo.
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E por hora, sinto saudades do nascer do sol e da tranquilidade São Tomé das Letras
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