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terça-feira, 16 de novembro de 2010

O esporte venceu!

Peço desculpas aos leitores, mas vou ter que voltar ao tema Fórmula 1 e jogo de equipes. Porém, dessa vez, a notícia é boa!
Semana passada falei aqui sobre o esquema da Ferrari no GP da Alemanha, quando a equipe obrigou o brasileiro Felipe Massa a dar passagem para Fernando Alonso, beneficiando o espanhol com mais cinco pontos e garantindo a liderança do campeonato.
Rival da scuderia italiana na disputa, a Red Bull tinha o melhor carro, mas não permitia o jogo de equipes. Resultado? O australiano Mark Webber e o alemão Sebastian Vettel tinham que disputar na pista para ver quem era o principal nome do time. Com isso, acabaram roubando pontos um do outro e chegaram até a se envolver em acidente, prejudicando a equipe. Mas a Red Bull não abriu mão do que acreditava: que o esporte deveria prevalecer, acima de tudo.
Ok, dei essa baita volta só para inteirar do assunto quem não acompanha a Fórmula 1.
Antes de começar o GP do Brasil, em Interlagos, a situação do campeonato era a seguinte:

1º Fernando Alonso - 231 pts

2º Mark Webber - 218 pts
Sebastian Vettel - 206 pts

No decorrer da prova, Vettel liderava, seguido do companheiro de equipe Mark Webber e Fernando Alonso na terceira colocação. Se optasse por fazer o jogo de equipes, a Red Bull poderia ordenar que Vettel abrisse caminho para Mark Webber, que tinha mais chances de conquistar o campeonato.

Mas a equipe preferiu que eles disputassem na pista, como rege o esporte. E a prova terminou com essa mesma configuração no pódio. Com isso, a classificação do campeonato ficou assim:

1º Fernando Alonso - 246 pts
2º Mark Webber - 238 pts
Sebastian Vettel - 231 pts

Agora é que vem o pulo do gato.
Na última e decisiva prova do campeonato, o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, Sebastian Vettel venceu e se sagrou campeão, graças ao mal desempenho dos dois concorrentes diretos pelo título (Fernando Alonso terminou em 7º e Webber, em 8º).
O campeonato terminou com:

Sebastian Vettel - 256 pts
2º Fernando Alonso - 252 pts
3º Mark Webber - 242 pts

A ética da Red Bull acabou salvando a pele da equipe. Ainda não entendeu?
Se em Interlagos eles tivessem optado pelo jogo de equipe e faciltado a vitória de Webber e o GP de Abu Dhabi terminasse exatamente como terminou, Vettel não somaria pontos suficientes para ultrapassar Alonso no campeonato e o espanhol teria se sagrado campeão mundial, com a seguinte classificação:

1º Fernando Alonso - 255 pts
Sebastian Vettel - 251 pts
3º Mark Webber - 247 pts

Ou seja, mantendo a ética de se respeitar o resultado das pistas, venceu a Red Bull, venceu Sebastian Vettel e, principalmente, venceu o ESPORTE!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perder e ganhar faz parte do jogo. E armar?

O técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardinho, deu uma declaração no mínimo surpreendente à revista Alfa, cujo trecho foi publicado pelo site Globoesporte.com.
"Se você me perguntar se eu me orgulho, eu digo 'De forma nenhuma'. Vai contra tudo aquilo que eu sempre preguei, os princípios em que acredito".
Bernardinho se referia ao fatídico episódio conhecido como o jogo da vergonha, quando o time brasileiro entregou o jogo para a Bulgária para garantir um caminho mais fácil para o título do Mundial de Vôlei. (Quem não se lembra, clique aqui).
Alguns podem dizer que, se o objetivo maior é ser campeão, qual é o problema em escolher o caminho mais fácil para chegar lá?
Não concordo com a estratégia adotada. Tanto que critiquei na época. Acredito que o Brasil tinha (e tem) qualidades suficientes para encarar o caminho mais difícil e ainda assim vencer o campeonato. Mas ficar martelando o assunto agora seria "chutar cachorro morto". Bernardinho teve a grandeza e a hombridade dos grandes ao reconhecer a falha e se desculpar.
Nem perto disso chegou a Ferrari, que obrigou Felipe Massa a abrir caminho para o companheiro de equipe Fernando Alonso vencer o GP da Alemanha, aumentando as chances de título do espanhol.
A corte esportiva que analisou o caso julgou que tudo foi feito dentro do regulamento da Fórmula 1. E a Ferrari já deixou claro que fará o jogo de equipes sempre que necessário.
A Red Bull, adversária da Ferrari, não deu o mesmo tipo de ordem aos seus pilotos e viu sua dupla praticamente se matar sozinha, diminuindo as chances de título, mas respeitando sempre a lógica esportiva. Ponto para ela. Na última prova da temporada, tanto Mark Webber quanto Sebastian Vettel ainda alimentam o sonho de ser campeão. Se o campeonato ficar entre um dos dois, vence o esporte!
Diante de tantas confusões, os criadores do espírito esportivo tal como conhecemos hoje certamente estariam se revirando em suas covas na Grécia antiga. Onde, inclusive, surgiram os conceitos de moral e ética.