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terça-feira, 5 de julho de 2011

O dia em que a Câmara virou estádio

Absurda a decisão do prefeito Gilberto Kassab e dos vereadores de São Paulo, que liberaram R$ 420 milhões em incentivos fiscais para a construção de um estádio em Itaquera. O mesmo Kassab que, no ano passado, garantiu que a construção de uma nova arena na Capital só aconteceria se fosse 100% financiada pela iniciativa privada.

Mas não é esse o assunto que quero abordar aqui.

O que me incomodou demais nessa semana envolvendo a aprovação do incentivo foi perceber o quanto o brasileiro é desinteressado pelo Brasil.

Nunca vi, em toda minha vida, tanta gente interessada por uma votação em Câmara Municipal como houve esses dias. Não que isso seja ruim. Pelo contrário. Sou daqueles idiotas que sonham em ver as pessoas participando ativamente da política, porque só assim poderíamos evitar que tantos bandidos chegassem ao poder.

O problema é que uma discussão que poderia ser saudável para a cidade acabou se transformando em uma briga futebolística entre torcedores deste ou daquele time. Ninguém estava dando a mínima se os R$ 420 milhões seriam usados para uma obra privada. O problema é se essa grana vai beneficiar meu clube ou o clube rival.

De toda a enxurrada de mensagens no Twitter, Facebook e afins, foram pouquíssimos os que se deram conta do que realmente estavam discutindo. Tudo se baseava exclusivamente na paixão esportiva. Triste isso.

Enquanto o brasileiro só se interessar por política para olhar para o próprio umbigo, ou, neste caso, para o clube do coração, o Brasil vai continuar essa beleza e os poderosos seguirão deitando e rolando com nosso dinheiro.

Só para ilustrar o que estou tentando dizer, o próprio Kassab aumentou ontem o salário em 20% (de R$ 20 mil para R$ 24 mil) e o dos seus secretários, em 250% (de R$ 5.504,34 para R$ 19.294,10).

Pergunto: quantos "torcedores" mostraram a mesma indignação (ou pelo menos interesse) com essa notícia?

Que não reclamem depois...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Legalize. Já?

Passando rapidinho para falar sobre um tema que não domino.

Na última semana, reacendeu-se (com o perdão do trocadilho) a discussão sobre a legalização da maconha no Brasil.

O conhecimento que tenho sobre a droga não vai além das palestras que já assisti, das entrevistas que fiz por aí e das orientações que ouvi na escola.

O fato é que muita gente confunde tudo e se assusta quando ouve um ex-presidente defendendo a legalização da maconha.

Não se trata de liberar geral e o Brasil virar uma Amsterdã, com bares e padarias vendendo cigarros ou brigadeiros de THC a torto e direito.

Trata-se de não considerar o usuário um criminoso, tal como consideramos o traficante, por exemplo.

A pergunta é: estamos maduros e instruídos o suficiente para aceitarmos que alguém acenda um baseado ao seu lado, sem o menor pudor?

Já pararam para imaginar como os maconheiros assumidos seriam estigmatizados?

Não quero ficar em cima do muro, mas acho que não estamos preparado para isso. Que o diga os manifestantes que tentaram apenas defender seu ponto de vista nas ruas e levaram borrachada da Polícia Militar.

Entretanto, concordo com o que diz Fernando Henrique. É preciso quebrar paradigmas e preconceitos para iniciarmos um debate sobre o tema.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Prioridades

Diz uma dessas frases feitas que "governar é estabelecer prioridades".

É uma afirmação interessante, mas, no Brasil, como sempre, tudo acontece só no discurso. É um tal de dizer que "a Educação é priodidade número um" que até me tira lágrimas dos olhos.

O vídeo abaixo é de uma audiência na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, debatendo a situação da Educação no Estado.

Entretanto, o desabafo da professora mostra aos governantes que, como cantou Cazuza, "suas ideias não correpondem aos fatos".

terça-feira, 19 de abril de 2011

Personalidade muda?

Hoje, apenas uma reflexão.

Aceitar que certas coisas em nós nunca mudarão é admitir que somos demasiados humanos?

Que seja, então.

Tem coisas em mim que nem eu gosto, mas que nem por isso mudarão. Faz parte da minha personalidade. Faz parte do meu EU.

Aliás, como sempre diz minha amiga Andressa Marques:

"As vezes é detestável ser eu"

terça-feira, 12 de abril de 2011

Proibir o comércio não resolve

Se tem algo que me incomoda no Brasil é o como os políticos e boa parte da população se deixam levar pela emoção ao lidar com assuntos que deveriam ser analisados apenas do ponto de vista técnico. Basta um caso envolvendo violência sexual e aparecem milhares de "especialistas" em segurança pública defendendo a pena de morte. Agora a bola da vez é a tragédia que aconteceu no Rio de Janeiro na semana passada, quando um jovem invadiu uma escola e atirou contra dezenas de crianças, matando, até agora, 12 delas. Ontem o presidente do Senado, José Sarney, já começou a defender a realização de um novo plebiscito sobre a proibição do comércio de armas no Brasil, a exemplo do que ocorreu em 2005, quando 64% da população foi contra o Estatuto do Desarmamento. Sarney argumenta que, com o ocorrido no Rio de Janeiro, muita gente pode ter mudado de ideia. Ora, esse é justamente o pior momento para se debater isso com a cautela que o tema merece. Tem que esperar a poeira baixar e discutir tecnicamente o assunto, sem se deixar levar pela comoção popular. O fato é que proibir a venda de armas não vai ajudar a combater a criminalidade. Até onde sei, bandido não compra pistola em loja. Não tenho, nunca teria e odeio armas. Mas, num país que não oferece segurança a seu povo, respeito o direito de quem quer ter uma arma em casa para se proteger. Se alguém não sabe, no Brasil não se fabrica e, obviamente, não se comercializa fuzil. Pergunto: isso impede que bandidos tenham acesso a armamento desse calibre?

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais que 100 gols

À parte minha opinião a respeito de Rogério Ceni como pessoa, é preciso reconhecer que ele conquistou um grande feito no último domingo, ao atingir a marca de 100 gols na carreira. Para um goleiro, isso é praticamente impossível de ser superado. Entretanto, a maior façanha da carreira de Ceni vai além dessa centena de gols. Para a torcida do São Paulo, ele representa um líder dentro e fora de campo. Em vinte anos (com exceção do modesto Sinop, do Mato Grosso, onde começou a carreira), o goleiro artilheiro não sabe o que é vestir outra camisa que não seja a do clube do Morumbi e, em duas copas do mundo, a da Seleção Brasileira. Algo raro e louvável no futebol moderno. Certamente propostas chegaram para tentar seduzir Ceni a deixar o país. É certo, também, que o São Paulo apresentou suas contrapropostas interessantes. Mas o capitão sempre preferiu continuar no clube que o revelou para o futebol. Prestes a encerrar a carreira, Ceni é fortemente cotado para, um dia, ser o presidente do São Paulo. Sempre discreto fora de campo, espera-se que ele possa ter essa postura também como dirigente, se é que terá estômago para isso...

terça-feira, 22 de março de 2011

Bullying

Na semana passada um vídeo se transformou em mais “viral” da internet.

Nele, um garoto, aparentemente vítima de bullying – nome chique que psicólogos e pedagogos importaram para falar de assédio moral entre crianças e adolescentes -, revidou e literalmente jogou no chão seu agressor, numa cena que seria cômica se não fosse trágica.

As imagens renderam a Casey Heynes o apelido de Zangief Kid, em referência ao personagem do jogo Street Fighter que aplicava um golpe parecido em seus adversários.



Milhares de pessoas do mundo todo assistiram e comentaram o vídeo, além de enviar mensagens de apoio ao estudante, que se cansou após três anos sofrendo com humilhações dos amigos pelo simples fato de estar acima do peso.

O assunto virou matéria em um programa de televisão, que encontrou o estudante e ouviu sua história. É um pouco longo, mas vale a pena assistir.

A reportagem mostra que o buraco era bem mais embaixo e que Casey Heynes chegou a pensar em suicídio.



Diante de uma situação como essas, vejo como hipocrisia pura quem vem falar que ele agiu mal, que violência gera violência e blá blá blá.

A pergunta que eu faço é: E se fosse seu filho? Você diria para ele não revidar quando levar um soco na cara ou for colado com fita adesiva em um poste (isso também aconteceu com ele, como mostra a reportagem)?

ps: tinha preparado um post bem mais elaborado, mas o Blogger deu pau e apagou tudo. Aí não tive coragem de fazer tudo de novo e ficou mais reduzido.

ps2: Ano passado, fiz uma reportagem sobre o tema, pela Folha de Alphaville, e ouvi uma especialista. Quem quiser ler, vai lá: http://www.folhadealphaville.com.br/artigo/?id=10712

terça-feira, 15 de março de 2011

Energia limpa???

A catástrofe nuclear que toma cada vez mais forma na usina de Fukushima reacende a velha discussão sobre esse tipo de geração de energia.

Em países com poucas alternativas e espaço geográfico reduzido (como alguns na Europa e, principalmente, o próprio Japão), pode-se até admitir que não há muitas opções, o que faz o risco das usinas nucleares valer a pena.

Entretanto, o Brasil precisa rever a necessidade de se utilizar esse tipo de matriz energética em um país cortado por rios em todas as regiões e com ventos convidativos soprando no nordeste.

Se o Japão, que é o país mais preparado para catástrofes de qualquer natureza, está às voltas com esse problema, temendo pela saúde até mesmo de quem mora em Tóquio, a 240km de Fukushima, imagine se as usinas de Angra apresentam algum problema?

Com a competência dos nossos governantes, que permitem que chuvas poucas horas devastem cidades inteiras, melhor nem pensar como lidariam com algo dessa dimensão...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O príncipe vai casar. Who cares?

Na correria dos últimos dias, passo rapidamente para perguntar a todos o que estão achando desse monte de aparição na mídia do tal príncipel inglês William, que em breve vai se casar com a plebeia Kate Middleton.

Ok. Para os britânicos isso pode ter lá sua importância.

Mas e no Brasil?

Por que as emissoras de tv gastam seu precioso (e caro) tempo falando tanto sobre o anel, a festa, o vestido e sei lá mais o quê da cerimônia de casamento.

Em que isso muda nossa vida?

Ou sou eu que ando mal humorado demais ultimamente?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Segurança

Foi-se o tempo em que fazer compras em shopping center era garantia de tranquilidade.

A cada semana, as notícias parecem se repetir em São Paulo.

Bandidos ignoram as centenas de câmeras de vigilância e as equipes de seguranças de terno e fone no ouvido. Simplesmente invadem shoppings luxuosos e assaltam as joalherias. Entram, aterrorizam, atiram e saem. Quase sempre impunes.


Cada vez mais, o crime parece compensar na grandes metrópoles...

Quem também há muito parece ter perdido o status de fortalezas são os prédios residenciais em bairros da chamada classe média alta. Esses são frequentemente alvos de arrastões, nos quais as quadrilhas entram (só elas conseguem passar com tanta facilidade pelas portarias, mas isso é outra história), saqueiam dezenas e apartamentos e na maioria das vezes levam até carros de moradores. Tudo dentro da segurança dos prédios e sem o risco de a polícia passar pela rua e notar algo de diferente acontecendo naquele local.


Como disse no começo do post, ficar trancado já não é mais sinônimo de segurança, pois as grades parecem cada vez mais chamar a atenção de quem não deveria.

Se é assim, prefiro ter meu quintal de volta!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pena de morte

Tem alguns assuntos sobre os quais acho que nunca terei opinião formada.

E um deles é a pena de morte.

Já fui veementemente contra durante um bom tempo e depois passei a defender sua aplicação com fervor.

Hoje, simplesmente não sei o que penso.

Quando acho que estou convicto de que ela é realmente necessária em casos de assassinatos ou estupros, por exemplo, leio algum caso que me faz ficar novamente em cima do muro.

Sempre me lembro de um argumento de um colega jornalista, bastante razoável.

"O Estado tem o direito de matar"?

Nos últimos dias foram dois episódios que me fizeram repensar o tema.

Um deles é o ótimo filme 72 Horas, do diretor Paul Haggis, que traz Russell Crowe no papel de um professor universitário cuja esposa é acusada de um assassinato contra o qual - aparentemente - não há argumentos de defesa.

O outro foi uma notícia que li sobre um norte-americano que ficou 30 anos preso por roubo e assassinato. Nessa semana, um exame de DNA provou sua inocência.

Aí é que vem a pergunta:

E se ele tivesse sido condenado à morte? Como esse erro poderia ser reparado?

Antes de nos deixarmos ser levados pela comoção diante de casos como Eloá Pimentel, Isabella Nardoni e Mércia Nakashima e condenar sumariamente seus suspeitos, acredito que vale a pena pensar que seres humanos falham. E isso se aplica a todos. Inclusive a policiais, peritos, promotores e juízes...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sem assunto

Não, eu não esqueci de colocar título no post.

Ocorre que estou simplesmente... sem assunto.

Estou curtindo raros dias de folga. E como o noticiário faz parte do meu trabalho, estou me permitindo ficar praticamente desconectado do mundo, o que me impede de falar algo de (ir)relevante aqui.

Então, pra ser econômico nessa semana em que me entrego, sem remorso, à preguiça, desejo a todos um excelente 2011 com esse meu "não-post".

Que no próximo anos todos possam planejar menos e executar mais.

Em vez de pedir, agradecer.

Em vez de lamentar, correr atrás do que realmente se quer. E não medir esforços para isso!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Só quando lhes interessa

A população brasileira acompanhou, impotentemente, o vergonhoso aumento de 61,8% que os deputados concederam a si mesmos para o ano que vem. Nem bem esperaram esfriar o clima das eleições, os parlamentares se esqueceram do mundo de fantasias das promessas de campanha e fizeram o que chamam de força tarefa para aprovar, a toque de caixa, o valor mensal que passarão a receber, junto com senadores, ministros, o presidente e seu vice: R$ 26,7 mil, ou mais de 52 salários mínimos.

O reajuste vai provocar, ainda, um impacto de R$ 1,8 bilhão nos cofres públicos na próxima legislatura, já que provoca uma reação em cascata. De acordo com a Constituição Federal, os vencimentos de 1.059 deputados estaduais e 57.748 vereadores são fixados em um determinado percentual dos colegas de Brasília.


Além do estrago que fizeram com o dinheiro do contribuinte, o que impressiona nesse episódio é o empenho que os parlamentares mostram quando o assunto interessa a só eles. Por que não se esforçam tanto assim para aprovar as reformas política, eleitoral, tributária e previdenciária, que há décadas atravancam o desenvolvimento do país?


Esperar dos nossos políticos o mesmo comportamento de parlamentares europeus ou orientais beira a utopia, mas que os brasileiros poderiam ao menos justificar seus gordos salários cumprindo com sua obrigação constitucional, isso poderiam...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dia de interiorano em plena metrópole

Quem me conhece mininamente, sabe como sou urbano. Não sou fã de praia nem de mato. Até topo um passeio e me divirto nesses lugares, mas para morar em uma cidade eu só me sinto bem se tiver muito concreto, poluição, trânsito e gente mal educada.

Mas ontem eu vivi uma experiência inusitada, característica de um morador de cidade do interior, onde todo mundo se conhece.

Saí do trabalho, em Alphaville, às 18h. Dia do rodízio do meu carro, eu tinha que chegar à Vila Olímpia às 19h30 de tranporte público. Até aí, nada de mais. Pelas minhas contas, chegaria a tempo sem problemas. No máximo, uns 10 minutos atrasado, o que não comprometeria minha pauta.

Entretanto, com a chuva que caiu no final da tarde, qualquer deslocamento se transformou em uma saga urbana.

O resultado foi que às 19h40 eu estava há uns 5kms do meu local de trabalho e o ônibus ocupava os mesmíssimos metros quadrados da via há pelo menos meia hora.

Como meu compromisso já estava perdido, desci e tentei caminhar à procura de uma alternativa para chegar em casa.

Já encharcado, parei em um ponto, na ilusão de encontrar um ônibus que pegasse uma passagem secreta ligando Alphaville à Santa Cecília.

De repente, um carro desses que prestam serviço para a Telefônica parou, o vidro desceu e o motorista me pediu uma informação sobre como chegar a Osasco sem ter que pegar aquele trânsito.

Para sorte dele (e minha), conheço cada viela daquela região, onde nasci e me criei. Tentei explicar o caminho, mas quem mora na periferia sabe como os quarteirões (se é que eles existem) são irregulares.

"Você não está indo pra lá?", perguntou o sujeito.

"É, estou tentando", respondi.

"Entra aí que a gente chega lá!", rebateu o figura.

Desde criança ouvimos que não devemos entrar no carro de um estranho, mas um cidadão uniformizado, em um carro adesivado e com uma escada gigantesca no teto me pareceu acima de qualquer suspeita.

E lá fomos nós. Eu ensinando os caminhos tortuosos da Zona Norte de Osasco e recebendo em troca uma valiosa carona. Ganhou ele, ganhei eu.

No ritmo e na desconfiança com a qual vivemos nas grandes cidades, esse gesto foi louvável, mas em uma cidade menor seria absolutamente normal.

O pior é que eu nem sei o nome do camarada, que estava apressado para chegar em casa e levar a esposa ao supermercado, após um cansativo dia de trabalho.

E eu, às 21h, finalmente cheguei em casa. Sem ele, nem sei como teria feito...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Planejamento financeiro

Hoje vou falar de um tema um pouco chato, mas que precisa ser abordado: planejamento financeiro.

A pergunta é simples...

Como você se relaciona com o seu dinheiro?

Semana passada tive a oportunidade de entrevistar um economista chamado Fernando Meibak. Um cara tão pragmático quanto simpático e que não fala o "economês" que muitos não entendem.

Ele é autor do livro "O Futuro Irá Chegar", lançado pela Disal Editora, que fala sobre como as pessoas devem se preparar para ter uma velhice tranquila. Tive a oportunidade de ler a obra antes de fazer a entrevista.

De todo o conteúdo do livro, que é muito legal, o que mais me chamou a atenção é um tópico sobre o critério que as pessoas usam para poupar algum dinheirinho.

Sei que a vida não está fácil para quase todo mundo, mas com um pouco de esforço e disciplina, todo mundo consegue salvar algum no começo do mês.

PERAÊ, Érison Martins, você não quis dizer no fim do mês???

Não. E é aí que está o pulo do gato.

Quase todo mundo, inclusive este que vos posta, tem o enganoso hábito de fazer a seguinte conta:

Salário menos contas menos gastos é igual ao saldo do que eu posso poupar.

Meibak deixa claro no livro e reforçou durante o bate-papo que a lógica é inversa. E que uma aposentadoria tranquila, sem ter que reduzir o padrão de vida, significa guardar 20% do que ganhamos desde os 25 anos de idade, aproximadamente.

Assim, a equação correta do nosso orçamento mensal tem que ser:

Salário menos poupança é igual ao meu orçamento para pagar contas e poder gastar.

O escritor me disse uma coisa muito bacana:

"Ninguém precisa viver com a corda no pescoço para poder garantir um bom padrão de vida no futuro. Basta saber se enquadrar no tamanho da sua renda."

Dica simples, mas que exige disciplina e planejamento. Muito planejamento. Mas acredito que vale a pena.

Se o Ciro Bottini (apresentador daquele canal de compras) tem o bordão: Compre, compre, compre!", vou contrariar e sugerir o "Poupe, poupe, poupe!"

Para quem se interessou pelo livro, segue o link:

http://migre.me/2MKKf

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Por que não fizeram isso antes?

A nova sensação do momento para a imprensa é a ofensiva das forças de segurança do Rio de Janeiro.
Afinal de contas, é fácil saber que tanques de guerra subindo a favela recheados de homens do Bope (alçados à condição de heróis principalmente depois dos filmes de José Padilha) são um prato cheio para garantir uma boa audiência ou arrebentar de vendas nas bancas.
Até aí nenhuma novidade. Era de se esperar que fosse assim, já que um dos conceitos de notícia é o que é novo, inusitado.
Difícil é tentar entender como essa operação pode ser considerada nova ou inusitada. Não é esse o papel da polícia? Previnir e combater o crime?
Como pode um país que defende o clichê do tal Estado Democrático de Direito demorar tanto tempo para agir diante de um problema que existe há décadas? Só para lembrar, a história do filme "Cidade de Deus" se passa nos anos 70 e retrata o domínio do tráfico sobre a comunidade.
Acho louvável a operação que está sendo feita na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Entretanto, não entendo por que não fizeram isso antes.
Por que esperaram pelos atos de terrorismo dos bandidos? O Estado só mostrou a cara depois que os marginais espalharam uma onda de terror pela cidade, ateando fogo em tudo o que viam pela frente e organizando arrastões aqui e acolá.
No Brasil, parece que prevalece a história de só fechar a porta depois que o ladrão já entrou em casa. O Estado, que é extremamente proativo na hora de cobrar impostos, mostra-se cada vez mais reativo quando o assunto é a segurança pública.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Bola dentro da ANAC

Finalmente a ANAC deu uma dentro.
Para quem não viu, a Agência Nacional de Aviação Civil divulgou hoje uma série de medidas para evitar mais um apagão aéreo no fim do ano, quando o número de pessoas que usam esse tipo de transporte cresce em razão das férias de verão.
De tudo o que foi decidido, destaco dois itens:

1) Fim do overbooking: As empresas estão proibidas de praticar overbooking. Para quem não sabe, overbooking é uma prática usada por companhias aéreas que vendem mais bilhetes do que a capacidade do avião.
Sempre achei um absurdo isso. Casado com uma hoteleira, já desisti de entender como os hotéis - que também praticam overbooking - podem vender algo que, em tese, não existe mais "no estoque".

2) Aviões extras: As companhias aéreas serão obrigadas a dispor de aeronaves extras, para o caso de pane, atraso ou qualquer outro problema que impeça o embarque dentro do horário.
Se até empresa de ônibus faz isso, porque as aéreas não fazem?
Aliás, viajar de ônibus no Brasil é sempre muito tranquilo. Você chega, despacha sua bagagem, embarca e ele parte no horário. Sem atraso, sem desespero, sem precisar chegar com duas horas de antecedência. Por que voar, que envolve um número de passageiros infinitamente menor, é tão traumático no Brasil?

Na prática, essas medidas podem significar aumento no preço da passagem aérea (que já é bem salgado no Brasil). Mas entre voar pagando mais caro ou simplesmente correr o risco de não voar, acho que não resta dúvida sobre qual é a melhor opção.
Além disso, o preço mais alto não duraria muito. Com a concorrência, aos poucos o próprio mercado regularia as tarifas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O esporte venceu!

Peço desculpas aos leitores, mas vou ter que voltar ao tema Fórmula 1 e jogo de equipes. Porém, dessa vez, a notícia é boa!
Semana passada falei aqui sobre o esquema da Ferrari no GP da Alemanha, quando a equipe obrigou o brasileiro Felipe Massa a dar passagem para Fernando Alonso, beneficiando o espanhol com mais cinco pontos e garantindo a liderança do campeonato.
Rival da scuderia italiana na disputa, a Red Bull tinha o melhor carro, mas não permitia o jogo de equipes. Resultado? O australiano Mark Webber e o alemão Sebastian Vettel tinham que disputar na pista para ver quem era o principal nome do time. Com isso, acabaram roubando pontos um do outro e chegaram até a se envolver em acidente, prejudicando a equipe. Mas a Red Bull não abriu mão do que acreditava: que o esporte deveria prevalecer, acima de tudo.
Ok, dei essa baita volta só para inteirar do assunto quem não acompanha a Fórmula 1.
Antes de começar o GP do Brasil, em Interlagos, a situação do campeonato era a seguinte:

1º Fernando Alonso - 231 pts

2º Mark Webber - 218 pts
Sebastian Vettel - 206 pts

No decorrer da prova, Vettel liderava, seguido do companheiro de equipe Mark Webber e Fernando Alonso na terceira colocação. Se optasse por fazer o jogo de equipes, a Red Bull poderia ordenar que Vettel abrisse caminho para Mark Webber, que tinha mais chances de conquistar o campeonato.

Mas a equipe preferiu que eles disputassem na pista, como rege o esporte. E a prova terminou com essa mesma configuração no pódio. Com isso, a classificação do campeonato ficou assim:

1º Fernando Alonso - 246 pts
2º Mark Webber - 238 pts
Sebastian Vettel - 231 pts

Agora é que vem o pulo do gato.
Na última e decisiva prova do campeonato, o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, Sebastian Vettel venceu e se sagrou campeão, graças ao mal desempenho dos dois concorrentes diretos pelo título (Fernando Alonso terminou em 7º e Webber, em 8º).
O campeonato terminou com:

Sebastian Vettel - 256 pts
2º Fernando Alonso - 252 pts
3º Mark Webber - 242 pts

A ética da Red Bull acabou salvando a pele da equipe. Ainda não entendeu?
Se em Interlagos eles tivessem optado pelo jogo de equipe e faciltado a vitória de Webber e o GP de Abu Dhabi terminasse exatamente como terminou, Vettel não somaria pontos suficientes para ultrapassar Alonso no campeonato e o espanhol teria se sagrado campeão mundial, com a seguinte classificação:

1º Fernando Alonso - 255 pts
Sebastian Vettel - 251 pts
3º Mark Webber - 247 pts

Ou seja, mantendo a ética de se respeitar o resultado das pistas, venceu a Red Bull, venceu Sebastian Vettel e, principalmente, venceu o ESPORTE!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perder e ganhar faz parte do jogo. E armar?

O técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardinho, deu uma declaração no mínimo surpreendente à revista Alfa, cujo trecho foi publicado pelo site Globoesporte.com.
"Se você me perguntar se eu me orgulho, eu digo 'De forma nenhuma'. Vai contra tudo aquilo que eu sempre preguei, os princípios em que acredito".
Bernardinho se referia ao fatídico episódio conhecido como o jogo da vergonha, quando o time brasileiro entregou o jogo para a Bulgária para garantir um caminho mais fácil para o título do Mundial de Vôlei. (Quem não se lembra, clique aqui).
Alguns podem dizer que, se o objetivo maior é ser campeão, qual é o problema em escolher o caminho mais fácil para chegar lá?
Não concordo com a estratégia adotada. Tanto que critiquei na época. Acredito que o Brasil tinha (e tem) qualidades suficientes para encarar o caminho mais difícil e ainda assim vencer o campeonato. Mas ficar martelando o assunto agora seria "chutar cachorro morto". Bernardinho teve a grandeza e a hombridade dos grandes ao reconhecer a falha e se desculpar.
Nem perto disso chegou a Ferrari, que obrigou Felipe Massa a abrir caminho para o companheiro de equipe Fernando Alonso vencer o GP da Alemanha, aumentando as chances de título do espanhol.
A corte esportiva que analisou o caso julgou que tudo foi feito dentro do regulamento da Fórmula 1. E a Ferrari já deixou claro que fará o jogo de equipes sempre que necessário.
A Red Bull, adversária da Ferrari, não deu o mesmo tipo de ordem aos seus pilotos e viu sua dupla praticamente se matar sozinha, diminuindo as chances de título, mas respeitando sempre a lógica esportiva. Ponto para ela. Na última prova da temporada, tanto Mark Webber quanto Sebastian Vettel ainda alimentam o sonho de ser campeão. Se o campeonato ficar entre um dos dois, vence o esporte!
Diante de tantas confusões, os criadores do espírito esportivo tal como conhecemos hoje certamente estariam se revirando em suas covas na Grécia antiga. Onde, inclusive, surgiram os conceitos de moral e ética.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Doe sangue

Como o dia está beeeeeem corrido para este que vos escreve, serei muito breve e direto no assunto de hoje.

Não sei se muitos sabem, mas em época de feriados prolongados os bancos de sangue atinges níveis críticos, motivo pelo qual os hemocentros fazem campanhas para atrair doadores voluntários. Até os funcionários, em muitas ocasiões, entram na roda e encaram a agulha.

Sou doador de sangue há uns oito anos e posso dar minha palavra. Não dói, passa rápido e não há efeitos colaterais. No máximo uma recomendação para que tome muita água e evite exercícios físicos naquele dia.

Para doar sangue, basta estar em boas condições de saúde, estar alimentado, pesar mais de 50kg e apresentar um documento com foto.

Os únicos "esforços" que o doador deve fazer é não ingerir bebidas alcoólicas e evitar alimentos gordurosos nas 12 horas que antecedem a doação.

Para mais informações, endereços e horários dos hemocentros, acesse o site da Fundação Pró-Sangue:

www.prosangue.sp.gov.br


Repito: é rápido, não dói e você ainda pode salvar vidas. Que tal fazer o bem? Que tal começar oferecendo algo que você tem de sobra e que será reposto rapidamente?