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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perder e ganhar faz parte do jogo. E armar?

O técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardinho, deu uma declaração no mínimo surpreendente à revista Alfa, cujo trecho foi publicado pelo site Globoesporte.com.
"Se você me perguntar se eu me orgulho, eu digo 'De forma nenhuma'. Vai contra tudo aquilo que eu sempre preguei, os princípios em que acredito".
Bernardinho se referia ao fatídico episódio conhecido como o jogo da vergonha, quando o time brasileiro entregou o jogo para a Bulgária para garantir um caminho mais fácil para o título do Mundial de Vôlei. (Quem não se lembra, clique aqui).
Alguns podem dizer que, se o objetivo maior é ser campeão, qual é o problema em escolher o caminho mais fácil para chegar lá?
Não concordo com a estratégia adotada. Tanto que critiquei na época. Acredito que o Brasil tinha (e tem) qualidades suficientes para encarar o caminho mais difícil e ainda assim vencer o campeonato. Mas ficar martelando o assunto agora seria "chutar cachorro morto". Bernardinho teve a grandeza e a hombridade dos grandes ao reconhecer a falha e se desculpar.
Nem perto disso chegou a Ferrari, que obrigou Felipe Massa a abrir caminho para o companheiro de equipe Fernando Alonso vencer o GP da Alemanha, aumentando as chances de título do espanhol.
A corte esportiva que analisou o caso julgou que tudo foi feito dentro do regulamento da Fórmula 1. E a Ferrari já deixou claro que fará o jogo de equipes sempre que necessário.
A Red Bull, adversária da Ferrari, não deu o mesmo tipo de ordem aos seus pilotos e viu sua dupla praticamente se matar sozinha, diminuindo as chances de título, mas respeitando sempre a lógica esportiva. Ponto para ela. Na última prova da temporada, tanto Mark Webber quanto Sebastian Vettel ainda alimentam o sonho de ser campeão. Se o campeonato ficar entre um dos dois, vence o esporte!
Diante de tantas confusões, os criadores do espírito esportivo tal como conhecemos hoje certamente estariam se revirando em suas covas na Grécia antiga. Onde, inclusive, surgiram os conceitos de moral e ética.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Futebol x vôlei

Em um canal brasileiro de TV aberta, a seleção brasileira de vôlei disputava a final do Mundial na Itália, contra Cuba. Se vencesse, o time comandado por Bernardinho conquistaria o inédito tricampeonato e ratificaria sua posição de grande força esportiva na modalidade.

Em outra emissora, também brasileira e também na TV aberta, o time de 4ª maior torcida do país enfrentava o 11º mais querido do Brasil, em uma rodada "comum" do campeonato nacional. Ou seja, ganhando ou perdendo, a situação de ambos não mudaria tão drasticamente.

Não parece lógico que a final do Mundial de vôlei tivesse mais audiência que um jogo de futebol sem grandes expectativas? Ou que pelo menos esses números ficassem em pé de igualdade?

Não. Principalmente quando se trata do torcedor brasileiro.

Os dois canais citados no início do post são, respectivamente, Band e Globo.

A primeira, que por força de contrato quase sempre transmite a mesma partida de futebol que a segunda, arriscou - de forma louvável - ao apostar em outra modalidade no país do futebol.

Resultado? Média de 3,2 pontos no Ibope*, com pico de seis. Enquanto a Globo, que trasmitiu Botafogo-RJ x Palmeiras, emplacou 18 pontos.

Como jornalista na área de esportes, frequentemente sou questionado sobre a "futebolização" nos jornais e nos programas de TV. Respondo que jornais, rádios, tvs e internet publicam o que seu público mais gosta de acompanhar (e isso também vale para os programas policiais chamados "sensacionalistas").

Não raro rebatem dizendo que brasileiro só gosta de futebol porque a mídia impõe isso a eles.

Que fique claro: embora seja fã declarado de futebol, sou contra um Brasil monoesportivo, mas é preciso admitir que a realidade no nosso país é outra.

Outros esportes só têm audiência em época de Olimpíadas. Depois, caem no limbo que os números acima mostram.

Citando Metallica, "sad, but true..."



* Cada ponto no Ibope corresponde a 55 mil aparelhos ligados na Grande São Paulo, região monitorada pelo instituto.