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terça-feira, 5 de julho de 2011

O dia em que a Câmara virou estádio

Absurda a decisão do prefeito Gilberto Kassab e dos vereadores de São Paulo, que liberaram R$ 420 milhões em incentivos fiscais para a construção de um estádio em Itaquera. O mesmo Kassab que, no ano passado, garantiu que a construção de uma nova arena na Capital só aconteceria se fosse 100% financiada pela iniciativa privada.

Mas não é esse o assunto que quero abordar aqui.

O que me incomodou demais nessa semana envolvendo a aprovação do incentivo foi perceber o quanto o brasileiro é desinteressado pelo Brasil.

Nunca vi, em toda minha vida, tanta gente interessada por uma votação em Câmara Municipal como houve esses dias. Não que isso seja ruim. Pelo contrário. Sou daqueles idiotas que sonham em ver as pessoas participando ativamente da política, porque só assim poderíamos evitar que tantos bandidos chegassem ao poder.

O problema é que uma discussão que poderia ser saudável para a cidade acabou se transformando em uma briga futebolística entre torcedores deste ou daquele time. Ninguém estava dando a mínima se os R$ 420 milhões seriam usados para uma obra privada. O problema é se essa grana vai beneficiar meu clube ou o clube rival.

De toda a enxurrada de mensagens no Twitter, Facebook e afins, foram pouquíssimos os que se deram conta do que realmente estavam discutindo. Tudo se baseava exclusivamente na paixão esportiva. Triste isso.

Enquanto o brasileiro só se interessar por política para olhar para o próprio umbigo, ou, neste caso, para o clube do coração, o Brasil vai continuar essa beleza e os poderosos seguirão deitando e rolando com nosso dinheiro.

Só para ilustrar o que estou tentando dizer, o próprio Kassab aumentou ontem o salário em 20% (de R$ 20 mil para R$ 24 mil) e o dos seus secretários, em 250% (de R$ 5.504,34 para R$ 19.294,10).

Pergunto: quantos "torcedores" mostraram a mesma indignação (ou pelo menos interesse) com essa notícia?

Que não reclamem depois...

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais que 100 gols

À parte minha opinião a respeito de Rogério Ceni como pessoa, é preciso reconhecer que ele conquistou um grande feito no último domingo, ao atingir a marca de 100 gols na carreira. Para um goleiro, isso é praticamente impossível de ser superado. Entretanto, a maior façanha da carreira de Ceni vai além dessa centena de gols. Para a torcida do São Paulo, ele representa um líder dentro e fora de campo. Em vinte anos (com exceção do modesto Sinop, do Mato Grosso, onde começou a carreira), o goleiro artilheiro não sabe o que é vestir outra camisa que não seja a do clube do Morumbi e, em duas copas do mundo, a da Seleção Brasileira. Algo raro e louvável no futebol moderno. Certamente propostas chegaram para tentar seduzir Ceni a deixar o país. É certo, também, que o São Paulo apresentou suas contrapropostas interessantes. Mas o capitão sempre preferiu continuar no clube que o revelou para o futebol. Prestes a encerrar a carreira, Ceni é fortemente cotado para, um dia, ser o presidente do São Paulo. Sempre discreto fora de campo, espera-se que ele possa ter essa postura também como dirigente, se é que terá estômago para isso...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tô revoltada!

Hoje vou fugir do assunto viagens e turismo, pois eu tenho um desabafo à fazer:FUTEBOL!
Não exatamente o esporte praticado ou o esporte comercializado, mas quero falar um pouco sobre o torcedor.Ah, que lindo, uma paixão, empolgação, enegergia.Realmente é maravilhoso assistir à uma partida de futebol com uma torcida inflamada, concordo plenamente!Já vi torcidas emocionantes,e não estou falando somente do meu TIMÃO do coração.Estou falando de outras também, que me fariam sim sair de casa para ouví-las cantar de novo, como a inigualável torcida do BOCA.Tudo isso é muito lindo, tudo muito bom, mas a realidade não possui somente esse lado.Possui um lado, no mínimo cruel e desumano.
Qual a finalidade de espancar uma pessoa pelo simples fato de ela estar com uma camisa diferente da sua, que VOCÊ, egocêntrico e infeliz, não aprova?
Como fica a mãe de um torcedor que vê seu filho sair de casa para torcer, e que pode voltar ou não para casa, após agredir ou ser agredido.
Gente, qual a lógica disso?Por favor, alguém me explique porque se portar com uma criatura diabólica, assasina e principalmente COVARDE ( porque sozinho nunguém faz nada), que ataca de forma animalesca um outro torcedor, só porque o cara não gosta da mesma porcaria que você gosta.
Por uma felicidade da maioria, esses animais são minoria, embora o estrago que façam seja bem grande, muitas vezes acabam com vidas, com patrimônios públicos e privados.
Ontem foi meu aniversário, e se eu tiver algum crédito em pedir alguma coisa, e ela ser atendida, eu gostaria que isso acabasse.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Marta, de novo


Marta caminha a passos largos para se consagrar como a melhor jogadora de futebol de todos os tempos.
Ontem, ela venceu o prêmio de melhor do mundo, oferecido pela Fifa, pela quinta vez consecutiva.
Difícil dizer se foi merecido porque não tenho como acompanhar o futebol feminino ao redor do mundo, ao contrário do masculino (domingo assisti à Copa Asiática pela tv, por exemplo).
O fato é que ela merece todos os louros pela conquista porque certamente foi muito mais difícil para ela do que para as europeias, que também concorreram ao prêmio e são profissionalizadas em seus países, com direito a todo o apoio e estrutura necessários para desenvolerem plenamente sua habilidades.
Enquanto isso, no brasil, o futebol feminino vive de chapéu na mão, implorando por apoio e atenção da mídia...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Futebol x vôlei

Em um canal brasileiro de TV aberta, a seleção brasileira de vôlei disputava a final do Mundial na Itália, contra Cuba. Se vencesse, o time comandado por Bernardinho conquistaria o inédito tricampeonato e ratificaria sua posição de grande força esportiva na modalidade.

Em outra emissora, também brasileira e também na TV aberta, o time de 4ª maior torcida do país enfrentava o 11º mais querido do Brasil, em uma rodada "comum" do campeonato nacional. Ou seja, ganhando ou perdendo, a situação de ambos não mudaria tão drasticamente.

Não parece lógico que a final do Mundial de vôlei tivesse mais audiência que um jogo de futebol sem grandes expectativas? Ou que pelo menos esses números ficassem em pé de igualdade?

Não. Principalmente quando se trata do torcedor brasileiro.

Os dois canais citados no início do post são, respectivamente, Band e Globo.

A primeira, que por força de contrato quase sempre transmite a mesma partida de futebol que a segunda, arriscou - de forma louvável - ao apostar em outra modalidade no país do futebol.

Resultado? Média de 3,2 pontos no Ibope*, com pico de seis. Enquanto a Globo, que trasmitiu Botafogo-RJ x Palmeiras, emplacou 18 pontos.

Como jornalista na área de esportes, frequentemente sou questionado sobre a "futebolização" nos jornais e nos programas de TV. Respondo que jornais, rádios, tvs e internet publicam o que seu público mais gosta de acompanhar (e isso também vale para os programas policiais chamados "sensacionalistas").

Não raro rebatem dizendo que brasileiro só gosta de futebol porque a mídia impõe isso a eles.

Que fique claro: embora seja fã declarado de futebol, sou contra um Brasil monoesportivo, mas é preciso admitir que a realidade no nosso país é outra.

Outros esportes só têm audiência em época de Olimpíadas. Depois, caem no limbo que os números acima mostram.

Citando Metallica, "sad, but true..."



* Cada ponto no Ibope corresponde a 55 mil aparelhos ligados na Grande São Paulo, região monitorada pelo instituto.