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sábado, 26 de março de 2011

Pérolas da hotelaria

Trabalhando em hotelaria a gente ouve pérolas o tempo todo.
Se formos dar a atenção a todas elas, a gente fica louco.
E como Concierge é um pouco pior do que estar na operação, porque o cara passa, vê você sentada e pensa que, ao contrario do resto da equipe de operação, você está ociosa. E não está.
Então ele surge com idéias mirabolantes como conhecer Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro em um final de semana... Fazer bate-e-volta na Amazônia, Ecotour em Sampa numa quarta-feira normal...
Ás vezes me dá um pouco de raiva. Depois muda pra dó, porque eu penso "Se você soubesse o tamanho da asneira que você tá falando, meu amigo..."
E depois eu me sinto um personagem super forte tipo algum herói... ou a Santa Paciência, um espírto de luz!
Isso principalmente quando eu ouço aquela perguntinha "Como é que você aguenta?"
Às vezes respondo a alguma pergunta idiota na maior naturalidade! E nem percebo, mas tem outras que me fazem querer desistir da vida!
Por exemplo:
"Sou vegana mas como peixe! Que restaurante você me recomenda?"
- MEU! VOCÊ É UMA TREMENDA DE UMA FRESCA! VAI COMER CAPIM NA MARGINAL PINHEIROS!
Se um vegano escuta o que esta imbecil está falando...
"Queria passear pela Paulista, mas parece que vai chover e tenho medo de enchente"
- Posso sonseguir um barco em 40 minutos pra senhora.
"Tem apartamento?"
- Não... aqui nós comercializamos pérolas...
"Eu tô procurando um hóspede" (JURA?) "É branco, magro, alto e americano" (Ninguém é obrigado a saber que esse é o perfil de 80% dos business guests em Sampa... respire fundo!)

Agora, tem aquelas internas... Seu colega ao lado atende o telefone da gringa falando:
- Meu apartamento não tem jacuzzi!
- OK, senhora! Envio uma em 5 minutos!
oi? Acho que nem um conierge consegue isso!

E os ataques de riso? Você olha pro cara e vê nitidamente a cara do ET, do Rodolfo e ET... você não pode rir, mas daí ele abre a boca e é... FANHO! E você não pode rir e começa a pensar na tragédia da vida dele, no quanto deve ser difícil ser feio e fanho, respira fundo e se compadece... então seu colega do lado chega e diz "Ih, o cara é gago" Toda a meditação foi por água abaixo!

E os puns?

São tantas, tantas emoções... Mas hoje estou de folga e não pretendo viver isto!

terça-feira, 1 de março de 2011

Desabafando e ocupando espaco alheio!

Estou na sala de convivencia do hotel e o teclado que estou usando nao tem os acentos, ent'ao devo pedir desculpas pelo portugues twitteiro que vou usar nesta postagem!

Devido ao sumico justificado de algumas de nossas diferencas, resolvi preencher a lacuna em respeito aos nossos leitores!

Desculpe, pessoal, eles estao atoladinhos em trabalho e por isso venho entrete-los!

E hoje vou falar de idolatria e, claro, o que mais o assunto puxar.

As pessoas tem mania de buscar semelhancas ou referencias em outras pessoas, e estas outras pessoas (ou icones) em geral estao em evidencia.

Na adolescencia isso parece bem forte e evidente.
Na minha epoca de adolescente, meu idolo era o Jon Bon Jovi (ok, todo mundo tem algo de que se envergonhe).
Hoje eu me pergunto a razao desta idolatria.
Ele nao tem nada demais e eu por nao ter nada demais busquei nele a semelhanca (interrogacao)... Acabei de descobrir que esse teclado tb nao tem interrogacao... shit!
Ou sera que era porque ele era bonito...
Neste caso eu nao estaria buscando a semelhanca... hehehehe!

Eu vejo a galera religiosa em fervorosa devocao a nossa senhora cas cabeca, nossa senhora desatadora de nos, nossa senhora da escada... Geeente! No minimo interessante!

Minha avo, e beata, catolica apostolica romana e quando eu era pequena, costumava ir a igreja com ela. Dai eu via as pessoas dizendo ~sou devoto de santo nao sei o que, sou devoto de santo Expedito, de Santa nao sei o que la mais~
Eu entendia que eu tinha que ser devota tambem, e como eu era vesga, acho que era um sinal pra ser devota de Santa Luzia!
E fui. Nao sabia muito bem o que exatamente queria ser devota! Mas dizia que era!
Da mesma forma que nao sabia durante muito tempo o que era ser corinthiana. Mas dizia que era!
O significado de ser Corinthiana eu descobri.
O de ser devota de Santa Luzia, nao. Dai deixei a santa pra la e fiquei so com o Corinthians.

Agora estou tentando descobrir o significado de ser hoteleira.
Hoje um cara muito escroto veio me pedir um whisky caro de gra;a e eu disse nao.
Claro que em um hotel 5 estrelas voce nunca vai dizer nao na lata... voce da altas voltas pra dizer - se quiser, pague - e o faz muito educadamente de forma que o cara paga feliz da vida.
Mas este escroto senhor estava bebado e fez - shhhhhh - pra mim!
Nessas horas eu me questiono - o que faz uma pessoa hoteleira... seria talento para fazer com que babacas achem que sao importantes (interrogacao).
Sorrindo, disse - ok - umas tres vezes, ele ficou feliz e subiu cambaleante.
O estado etilico era tao alto que ele nem percebeu que fez exatamente o que eu mandei ele fazer.
Quando um cara muito babaca comeca a me encher o saco, eu penso - gaste... gaste todo o seu dinheiro porque isso eh a unica coisa que presta em voce... e dai eu me sinto melhor!
Eu nao tenho dinheiro, entao nao tenho o direito de ser babaca. O que resta em mim, tem que prestar e isso me contenta!
Um brinde aos babacas com grana porque a maquina economica tem que girar!

Salut!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Meu dia de Presley!

Pessoal, vida de hoteleiro é assim: você trabalha nos horários mais loucos e, ao mesmo tempo que realiza sonhos e cria experiências para os nossos visitantes e vive experiências, acaba negligenciando sua vid pessoal.

Já vi celebridades, já fiz amigos e, pra não dizer que não tenho inimigos, digamos que sou odiada por alguém com formas quase humanas e cérebro quase demoníaco!
Mas isto não vem ao caso.

Parte da minha vida pessoal, e eu diria, boa parte dela, está dentro do hotel... Não tem jeito! Eu eu tenho que me divertir de alguma maneira, então vou me divertir lá dentro, oras!

É que de repente lembrei-me de uma colega de trabalho que fica no back , bem atrás da minha mesa. Ela disse que queria passar um único dia só me vendo trabalhar
Muito do que eu falo lá na frente, ela escuta de dentro e ontem foi muito engraçado porque enquanto eu conversava com um hóspede chegou um figura metamorfoseado em ELVIS! Roupas, topete e voz... tudo!
Nós temos que ser sérios, mas eu não obedeço muito essa regra. Quando a piada é boa eu arrisco!
E fui tirar uma onda com o Elvis:
- Ei! Canta uma musiquinha aqui pra mim, vai! Me dá uma canja!

Eu esperava que ele fosse cantar só um pedacinho, mas o cara cantou inteira!

Enquanto isso, na sala de justiça (no back) o silêncio era quebrado por frases do tipo "operadora, boa noite... pois não, vou transferí-lo" e de repente elas ouvem naquele tom grave "love me... tender... love me sweet .. never let me go ..."

E eu lá na frente com o rosto queimando da cor de uma embalagem de chambinho, caminhava de braços dados com o pseudo-Elvis pelo saguão em reforma do hotel.

Meu chefe querendo me matar e meu outro colega com uma cara que não me permitia ler seus pensamentos, mas que me dizia "ela não bate bem da cabeça".

Elvis beijou minha mão ajoelhado e saiu correndo em direção ao elevador que o levaria para o evento que ele ia atender.

Quando tudo terminou, o silêncio cnstrangedor tomou conta do lugar e foi novamente quebrado pela frase "tem café fresco lá atrás".

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Bola dentro da ANAC

Finalmente a ANAC deu uma dentro.
Para quem não viu, a Agência Nacional de Aviação Civil divulgou hoje uma série de medidas para evitar mais um apagão aéreo no fim do ano, quando o número de pessoas que usam esse tipo de transporte cresce em razão das férias de verão.
De tudo o que foi decidido, destaco dois itens:

1) Fim do overbooking: As empresas estão proibidas de praticar overbooking. Para quem não sabe, overbooking é uma prática usada por companhias aéreas que vendem mais bilhetes do que a capacidade do avião.
Sempre achei um absurdo isso. Casado com uma hoteleira, já desisti de entender como os hotéis - que também praticam overbooking - podem vender algo que, em tese, não existe mais "no estoque".

2) Aviões extras: As companhias aéreas serão obrigadas a dispor de aeronaves extras, para o caso de pane, atraso ou qualquer outro problema que impeça o embarque dentro do horário.
Se até empresa de ônibus faz isso, porque as aéreas não fazem?
Aliás, viajar de ônibus no Brasil é sempre muito tranquilo. Você chega, despacha sua bagagem, embarca e ele parte no horário. Sem atraso, sem desespero, sem precisar chegar com duas horas de antecedência. Por que voar, que envolve um número de passageiros infinitamente menor, é tão traumático no Brasil?

Na prática, essas medidas podem significar aumento no preço da passagem aérea (que já é bem salgado no Brasil). Mas entre voar pagando mais caro ou simplesmente correr o risco de não voar, acho que não resta dúvida sobre qual é a melhor opção.
Além disso, o preço mais alto não duraria muito. Com a concorrência, aos poucos o próprio mercado regularia as tarifas.

sábado, 30 de outubro de 2010

JÁ DIZIA O PROFETA!

OU POETA? Ah... Quer saber quem é o cara? Click Here!

Teve um figura que saiu pintando os muros do Rio de Janeiro com frases de gentileza e oferecia flores aos passantes. Marisa Monte o cita em uma de suas canções!

E tem gente que vai fazer faculdade pra aprender que um gesto vale mais que mil palavras.
Ah vá! O andarilho já ensinava isso há tempos!

Trabalho com hotelaria e turismo, mas minha formação mesmo é Administração.
Fiz isso porque sempre detestei matemática e resolvi que tinha que superar minhas fraquezas!
Depois de todas as inscrições pagas fui sacar que Administração era humanas. Salve-salve a rainha de la gafe!

E fazendo o curso descobri que... a matemática era mais forte do que eu! Mas que existia a HP12C!
E me joguei nas humanas!

Meu TCC foi sobre clima organizacional e como isso se convertia em resultados para o hotel.
Todo o trabalho foi baseado nas experiências vividas no hotel onde eu estava na época.
Tínhamos uma equipe muito boa. Cada um ao seu modo era especial! E éramos bem diferentes!
Acreditávamos no que vendíamos - e mais - acreditávamos realmente competir em par de igualdade com hotéis 5 estrelas da região! Judiação! E vendíamos isso! E as pessoas compravam! E muito!
Passamos, ou melhor, eu, como mais velha do time, passei por diversos estilos gerenciais encabeçando a boiada.
O marketeiro, a humana, a interina "tudo-de-bom" meio aéra porém gente-fina, a terminar pelo Bin Laden enigmático.
Poucas chefias (entenda-se por chefia a figura entre a equipe e a gerência) permaneceram mais de um ano no lugar o que fez com que a equipe (ou a parte comprometida dela) amadurecesse e aprendesse a andar com as próprias pernas.
O louco é que sabíamos que nenhum de nós seria promovido e por isso ninguém tinha ataque de estrelismo. Trabalhávamos da melhor forma para fazer com que o tempo que passávamos juntos fosse o melhor possível. Alegrávamos em poder agradar os clientes. Satisfazíamos por ajudar uns aos outros já que estávamos nos fodendo juntos. Levávamos marmita. Muitas vezes dividíamos a marmita! Ríamos pelo menos 12 minutos por dia da nossa própria desgraça. Era de doer a barriga! Chorávamos de raiva. Juntos! E não era porque estávamos numa barca furada que a deixávamos afundar! Trabalhávamos muito e muito bem!
E como estávamos nos fodendo juntos, adiantávamos o lado do colega, porque sabíamos que ele também faria o mesmo.
Mas uma coisa da qual eu não esqueço, e é uma coisa que parece pequena até que você a perde: a gentileza. Nunca ninguém me pediu nada sem usar um "por favor". E eu, mesmo na qualidade de "mais velha de casa" nunca deleguei uma tarefa sem usar tal expressão. Era absolutamente natural.
O hotel era lotado! E eram sempre os mesmos clientes em 85% dos casos! Conhecíamos todos pelo nome! Eles nos adoravam e muitos traziam presentes e mostrava fotos de suas famílias!
Quem manja de futebol vai entender se eu disser que a sincronia da equipe era como o carrossel holandês (e quem não souber, jogue no google).
Eu NUNCA vi uma equipe como aquela!
No TCC, defendi que tal existência era possível! Meu professor achava romântica e utópica a idéia, mas a convicção e a verdade com que eu relatava as experiências atrelada aos números que apresentei provaram que não. Ah, precisei de ajuda pra provar com números, mas deu certo!
Talvez hoje eu concorde com ele! Talvez a sorte nos tenha proporcionado a possibilidade de viver uma utopia! Mas foi de verdade. E quem sabe um dia não se repita? Creio que tenha sido uma reunião de fatores e essências humanas positivas independentes do recrutador ou da chefia. Algo intrínseco. Mas em relações humanas, uma coisa é certa: tudo o que é bom começa com um ato de gentileza!
Passou! Um saiu, outro saiu, outro saiu! Cada um foi escrever sua história. O prédio ficou e as pessoas foram substituídas por números! O carrossel se desmanchou. E não conseguimos repor as peças.
O romantismo morreu e nosso hotel é hoje mais um entre outros. Seguiu vendendo. Mas já não tem mais todo aquele Ibope! Aquela atmosfera... aquele ser parte da vida de alguém...
Cada membro da equipe seguiu sua vida e nunca mais nos vimos!
À vezes passo por lá como uma ilustre desconhecida. E tenho pena daquelas pessoas que devem estar ralando muito como eu ralava!

Mas sabem, hoje eu vejo campanhas corporativas, motivacionais, etc e tal, levantando a bandeira que lá atrás nós já carregávamos, estabelecendo métodos para fazer funcionar aquilo que nós fazíamos com naturalidade e ensinando a fazer bonito enquanto nós fazíamos com verdade! Por quê? Porque moooorrem de medo de pagar um processo de assédio moral! Naquela época não tinha isso não!

Era o que tínhamos e queríamos seguir em frente, mas enquanto estávamos ali, estávamos para fazer a diferença. E juntos fizemos! Nunca uma folha de sulfite fez tanta diferença dentro de uma equipe de oito pessoas! Onde quer que estejam, vão lembrar da folhinha!
Organização de sistemas e métodos - isso é muito bom!
Mas não é tudo. Não é dizer "Faz isso" ou "faz aquilo", procedimento, processo, o raio que o parta - virar as costas, sair andando e no final de tudo, dizer "OK" e não "obrigado". Sem gentileza não vai funcionar! A parte "obrigada" vai cansar de fazer "por nada". Parece que não, mas faz uma grande diferença!

Não ganhávamos bem, não tínhamos vale-refeição (mas a gostosa da turma paquerava o dono da lanchonete vizinha e virava-e-mexia conseguia umas boquinhas!) e tenho certeza de que ninguém sente a menor falta disso mas boa parte lembra com nostalgia.

Se me pedissem pra voltar, é óbvio que eu não voltaria.
Mas se um dia eu fosse técnica de um grande time operacional, onde quer que fosse, seguiria tentando, e só me aposentaria depois de ver novamente girar o carrossel!