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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Paris...

Tenho observado um fenômeno na minha caixa de entrada nos últimos dois meses. Uma enxurrada de e-mails daqueles contatos que nunca te mandam nada que presta e que você nunca responde, mas que insistem em dar um "forward" em tudo quanto é mensagem bonitinha ou teorias conspiratórias que recebe de gente tão mala quanto eles.

Pois bem, os e-mails têm a pretensão de me convencer a votar nesse ou naquele candidato, como se eu fizesse minha escolha baseado em spams (sim, é spam porque eu nunca pedi para o pentelho me azucrinar com sua ideologia). A justificativa? o famoso chavão: "estou fazendo minha parte", ou então o autoritário "repasse a todos".

Isso me faz pensar que estou cercado de eleitores do Tiririca...

O que mais me chateia é que os e-mails, na maioria das vezes, são mais mentirosos que os próprios canidatos falando sobre aborto e união homossexual na tv.

E o pior: se eu convidasse os figuras para discutir as eleições, ainda que pelo MSN, o intelectualoide diria que não gosta de política. Então, que me deixem em paz!

Essa semana, na França, o país se mobilizou em greve geral dos trabalhadores. O motivo? Ampliação de 60 para 62 anos a idade mínima para se aposentar. Para efeito de comparação, no Brasil o mínimo é de 65 anos para homens e 60 para mulheres. E o trabalhador quase sempre se aposenta recebendo menos do que seu último salário.

Isso sim é "fazer sua parte". Não quero julgar se eles estão certos ou errados. Apenas respeito e admiro o espírito de civismo dos caras.

Aqui, os governantes fazem coisa muito pior e a maior manifestação que recebo é um e-mail "Repasse a todos os seus contatos. Não podemos aceitar isso"...

Serra pelada (Ops... pelado!)

Hoje recebi um daqueles e-mails com vírus. Do tipo "oi, lembra de mim? olha nossa foto no motel...".

Porém, a mensagem fazia menção a um suposto vídeo de José Serra fazendo sexo no gabinete.

Aí me perguntei:

1) Alguém ainda pega esse tipo de vírus?

2) Ainda que o e-mail não se tratasse de uma infecção virtual, quem em sã consciência, por mais pervertido que fosse, interessar-se-ia (adoro mesóclise!) em ver o tucano pelado na tela do PC?

Eu, heim...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

(Ainda) sobre as eleições

Tem muita gente aí revoltada com os mais de 1 milhão de votos que o candidato Tiririca (PR) rcebeu no dia 3 de outubro. Sempre disse e volto a afirmar que todo povo tem o governo que merece ou que, pelo menos, escolheu.

Tiririca é só mais um exemplo de uma nação que já elegeu Clodovil, Frank Aguiar e outros tantas personas midiáticas que até então não tinham qualquer experiência na política.

O que mais me irrita é que os que mais se indignam são os mesmos que não lêem sobre política, não têm a mais pálida ideia de qual é a função de um parlamentar e muito menos do que acontece no Congresso Nacional entre uma eleição e outra.

São essas mesmas pessoas que não fazem a menor menção em procurar saber quem é o candidato em quem vai depositar seu voto, sob o argumento de que “ele é lá da minha área”, “sou amigo do irmão do cunhado dele” ou, pior, “porque ele vai arrumar um emprego pro meu sobrinho”.

Aos que acham que a tal Lei da Ficha Limpa vai resolver todos os problemas do Brasil, meu desabafo:

Um povo que precisa de uma lei para impedí-lo de votar em criminosos merece mesmo um deputado como o Tiririca.

A maioria se Esquece de algo extremamente importante: votar em alguém significa também entregar-lhe uma procuração para que ele te represente na hora de discutir questões cruciais para o país, desde o valor do salário que você vai receber até a quantidade de verba que será investida na saúde, educação, segurança etc. E o tal “voto de protesto”, como já ficou provado, não ajuda em nada.

Não quero aqui dar lição de moral em ninguém. Já fiz muita besteira diante das urnas – algumas das quais tenho vergonha até de lembrar. Mas ao menos amadureço a cada pleito. Sei que podemos melhorar cada vez mais se votarmos com consciência. Que tal começar agora? No dia 31, teremos que escolher nosso presidente para os próximos quatro anos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

As consequências da decepção

" Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem drama
Por que que a gente é assim? "



A nossa geração por um fio. É isso que estamos elegendo


Trecho da música "Porque a gente assim?" de Cazuza, Frejat e Ezequiel Nev, citado no Twitter pela minha amiga Thais Amendola. Realmente ele nos entende.
Foto tirada na Bienal Internacional de Arte São Paulo. Imagens que dizem tudo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Tempo de eleições...

Amanhã, é dia de votar!
Mas não vamos deixar que a depressão e a angústia de ter o Tirirca e o Netinho nos represetando nos tire a esperança de que vida inteligente ainda habite nosso Brasil! Um dia... depois de um acidente nuclear, talvez...
Então, vamos falar de amenidades... vamos falar das baratas que sobreviveriam a este hipotético acidente nuclear... ou de como a música contribui para o tratamento daqueles doentes graves, tipo meio vegetais...
E por falar em música, Belle and Sebastian virá ao Brasil e isso sim é uma notícia boa!
Espero que o mundo não acabe até lá!
Já contei meu caso de amor com Belle and Sebastian?
Vou contar:
Tenho trauma de volante. Odeio dirigir, mas, enfim, consigo botar um veículo automotor em movimento e atingir um destino. A duras penas, mas consigo!
Estava eu a caminho da casa de vovó, enquanto seu lobo não vem.
Pescoço, braço, antebraço... tudo duro. Tenso.
Vamos então ouvir uma música pra relaxar.
Ao mesmo tempo em que carro desenvolvia um movimento sinuoso que acompanhava o vai-e-vem do seletor do radinho enquanto eu procurava um som, os demais motoristas se enfureciam do lado de fora e eu ficava ainda mais tensa!
Depois de um buzinaço, desisti de sintonizar o rádio.
Andei mais um tempo ouvindo aquele chuvisco porque não tinha mais coragem de tirar a mão do volante nem pra desligar o rádio. Nem pra mudar de marcha. Que meu pai não leia isto, mas fui um bom pedaço em segundinha, esgoelando o Uno vermelho-tomate, único veículo da família!
Quando todos me ultrapassaram e eu estava só na avenida, finalmente me senti segura para tentar achar a rádio.
Até que... puta saco! Outro carro apareceu!
Bati a mão no seletor de qualquer jeito e caiu numa rádio qualquer.
E de repente tudo mudou!
Tudo ficou leve, ou como diria Vanusa, "Risonho e límpido"!
De repente já não era tão difícil.
Quando vi, já estava no portão da casa da vovozinha. Encostei e fiquei ali, besta, esperando a voz do locutor me dizer de quem era aquela música que eu nunca tinha ouvido e que tinha mexido tanto comigo!
A canção era "The Boy With The Arab Strap" e a banda... Belle and Sebastian. Até hoje não saquei muito bem certas coisas dessa música, como por exemplo o que significa o tal garoto com o treco árabe que é citado na letra, mas no caso dessa canção em especial, a melodia me chamou a atenção, Muito. A sonoridade é simples, nada revolucionário, mas aos meus ouvidos é magia pura!
Bom, no dia seguinte comprei o álbum e daí pra frente... comprei o resto, ouvi tudo... Tudo... pra sempre!
Confesso que não virei uma intelectual no assunto. Até hoje me confundo com os nomes dos integrantes da banda! Mas, independentemente de qualquer coisa eles passaram, naquele momento, a tocar a trilha sonora da minha vida!
E digo isto porque, de alguma forma, sempre pintava uma canção que se encaixava com o que estava acontecendo comigo.
No dia em que comprei o segundo CD da minha coleção, o "Dear Catastrophe Waitress", meu ex terminou comigo. Cheguei em casa num estado meio letárgico, sem entender direito o que eu estava sentindo, porque eu supunha que deveria estar muito mal. E não estava. Não entendia. Não me entendia.
Botei o cd pra rolar e fui ... fui... sei lá, fui sentar, pensar, tentar me entender. Acendi um cigarro e corri os olhos pelas letras, fui buscar um café quando ouvi num ritmo bem tranquilo, quase narrado, uma das vozes femininas da banda cantando: "since you went away, everything is looking great".
Na noite anterior eu ouvira um dos singles que dizia "I'm waking up to us - we're a disaster"

Então eu me entendi. Eu estava me sentindo mal por não estar me sentindo mal! Deu pra sacar? Coisa de mulher!
Ouvi o cd até o fim. E daí fiquei bem!

Durante minha fase mais individualista, eu ouvia "I don't Love anyone" e "Mary Jo"
E quando saí pela primeira vez com meu amor, comprei uma coletânea dupla de Belle and Sebastian, que fiz questão de esquecer no carro (como pretexto, claro!). No caminho, enquanto ouvíamos, uma das músicas dizia pra mim "LOVE it's coming back, it's coming back, it's coming back". Mais uma vez eles tinham acertado!

Por causa de Belle and Sebastian eu descobri que Tom Sawyer não era apenas a música do Rush, mas também um livro de Mark Twain, li O Apanhador no Campo de Centeio pra ter certeza de que... bom, li a porra do livro. Além disso, descobri diversas releituras da filosofia que até então eu achava que conhecia. E teve Dostoiévski. Desse aí eu ainda não tive coragem de ler mais um livro!
Então... É bom, não é? Esse lance de flutuar, viajar numa canção, sentir que os caras estão catando pra você, ou cantando a sua vida... isso é muito louco!
Musicalmente, eles não fizeram história e nem revolucionaram porra nenhuma.
Mas a minha vida... essa eles marcaram. E por isso pra mim eles estarão sempre lá em cima no ranking!
Dei voltas e voltas e voltas pra tocar os pés no chão novamente e lembrar que as eleições estão aí.
Minha vida, minha história, eu mudei muito durante e depois de Belle and Sebastian.

Quem sabe o Brasileiro não muda durante e depois de Tiririca e Netinho.

Que Deus nos ilumine amanhã (se ele já não tiver cometido o suicídio até lá)